Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2005

Quem sai aos seus, não degenera.

   Que paciência!...
   Se há ditado que se pode aplicar aos meus miúdos é aquele que diz que quem sai aos seus não degenera. Hoje parece que o meu filho está a pô-lo em prática. Pena que tenha ido buscar o lado da mãe.


   Hoje o dia começou bem, que é como quem diz, igual aos outros, para não variar.
   Mal meto o primeiro bocado de pão à boca, toca o telemóvel. Já?!... É o meu filho. Tinha acabado de sair para participar no Corta-Mato escolar.
   __ Pai, podes trazer-me o papel da autorização? Estou em casa do Tiago. Até o miúdo já aprendeu as manhas de «como começar o dia a chatear o pai». A casa do Tiago nem é assim tão longe daqui como isso, quer dizer, se não é para mim, também não é para ele, mas como não o quero deixar mal visto perante o colega, lá vou eu. Logo digo-lhe umas palavrinhas sobre isto.
   A minha mulher diz-me para o mandar vir a casa buscar o malvado papel. Parece que só ela quer ter o previlégio de me dar cabo do dia.
   Saio para a rua a comer o que resta da minha sandes. Já não me lembro de fazer semelhante coisa desde os meus tempos de escola. Chego à rua do Tiago. A casa do miúdo tem entrada pela frente e saída pelas traseiras e fica no fim da rua. Por qual lado virão eles? Tenho um quarteirão para vigiar. Recorro ao telemóvel, assim como assim , mais chamada menos chamada, a conta vou ser eu a pagar mesmo.
   __ Rafael, vem ter comigo ao pé dos vidrões. __ Digo eu para marcar uma localização fixa e incapaz de originar confusões.
   __ Quais vidrões, Pai? Ao pé de nossa casa? __ Pô... queres ver que eles andam perdidos para os lados de casa? Para que é que saí?...
   __ Não filhote, aqui, quem vai para o Lidl...
   __ Ao pé da escola? __ Pergunta ele. Caramba, queres ver que vou dar a volta à Amora antes de os encontrar? Lá lhe consigo explicar que ficam em frente a uma loja dos trezentos ao pé da casa do Tiago... mas ele parece um carro frio a tentar pegar de manhã
   __ Uma loja dos trezentos? Mas ao pé da casa do Tiago não há nenhuma! __ E o telefonema a decorrer. Já estou a ficar arrependido, quando o vejo aparecer na esquina da rua, telemóvel ao ouvido. Esqueço-me que estamos a falar por ele e grito um «Aqui!...» que até o pessoal da obra olhou para mim. Escusavas de ter gritado, disse-me ele! Ainda por cima. Estou feito. Então e a tua mochila? E o Tiago? Estava atrasado, ainda não tinha comido e ele estava à espera dele. Iam chegar atrasados, mas eu depois justificava-lhe as faltas. E para ouvir isto, saí eu de casa sem pequeno-almoço... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 09:42
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Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2005

Os relatórios esquecidos

   Que paciência!...
   Se as pessoas ao menos se preocupassem em fazer o seu trabalho minimamente, de certeza que ele até era bem feito. Agora, no nosso país, parece que se pode fazer o que se quer... impunemente.
   De quem será a culpa? Das pessoas que trabalham e não estão motivadas? Das instituições? Nossas?


   Deixo o carro no Berna. O parque de estacionamento fica ao lado do escritório e o Metro é logo ali. Penso que nem vale a pena ir de carro só até às Telheiras, e não preciso de me preocupar com os parquímetros. Quando voltar pago o estacionamento. Meto-me no Metro e utilizo um bilhete pré-comprado que tinha na carteira dos documentos do carro. É a última viagem. Tenho de o guardar, ou então não saio. Chego às Telheiras e vou rua abaixo. Acho que é já ali, pelo menos foi a ideia com que fiquei de uma vez que lá fui (de carro). A rua parece não querer acabar. A dada altura desconfio que estarei perdido e pergunto onde fica a Gilamp. Lá em baixo, ao pé daquela farmácia. Puxa! Devia ter vindo de carro. É longe que se farta. Agora não há nada a fazer. Apronto-me antes de entrar para a reunião agendada. Faltam cinco minutos. Sou bom nisto, mesmo quando vou a pé.
   Cinco da tarde. Hora de regressar. Acho melhor apanhar um taxi para voltar. Meto a mão ao bolso do blusão e tenho um baque. Vim sem a carteira! Procuro nos bolsos. Um euro e vinte cêntimos. Será que dá para algum autocarro? Isto está a correr mal. Se vir um taxi vou nele até ao parque. Vai-me custar os olhos da cara, certamente. O dia já está a teminar mal.
   O trânsito está insuportável. Pudera, a esta hora! Toca o telemóvel.
   __ Estou, q'rido? __ É! Querido... Precisa que vá buscar os exames da miúda à Clinica. Não estava a contar com isso. Então e o talão? Tento esquivar-me. Não ia ser preciso. Eles procuram pelo nome.
   Parece que toda a gente tem radiografias e outras porcarias para levantar. Cinco pessoas à minha frente, e uma funcionária. Realmente o papel não devia ser preciso, ela percorre todos os envelopes que estão em cima da mesa, um por um. Que demora! Devia ser chegar, tirar o envelope, dar e passar à frente, mas não. Tento ver televisão. O concurso que está a passar não me prende a atenção. Tenho um monte de coisas para fazer e só estou a pensar nelas. Apetece-me ir embora e deixar aquilo para a próxima.
   Chega a minha vez. O papel com o número do processo? Não tenho. Nome? E lá vai para a pilha de processos. E vê uma vez, e outra, e torna ao princípio. Passado um bocado regrassa ao balcão. Só um bocadinho... e recebe o talão da velhota que estava atrás de mim. Alguém que estava às voltas com o computador veio-me perguntar se não tinha o número de processo. Claro que não, senão tinha-o dado logo. Ligo para casa e a funcionária escreve o número que eu dito enquanto o vou ouvindo. Volta ao computador. Volta à mesa dos envelopes. Vasculha tudo outra vez. O resto do pessoal vai saindo com as suas radiografios, ecografias, tacs... e eu, à espera. Voltou.
   __ Desculpe, mas a Doutora esqueceu-se de fazer o relatório. Volte na próxima Quarta-feira... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 20:43
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Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2005

Saiu para buscar pão

   Que paciência!...
   Se a minha gata faz asneiras, a minha mulher não lhe fica atrás. Às vezes parece que não pensa. É como a gata. Bela obra. Malvado bicho que resolveu usar o cesto das meias como casa de banho. Tudo para dentro da máquina de lavar. O cheiro é insuportável.


    São três e meia. A minha mulher diz-me que vai sair para comprar pão. Sabendo que ela não dá dois passos sem cair (pelo menos cá em casa) digo-lhe que é melhor esperar por um dos miúdos, que eu ando às voltas com uma planta e não queria deixar o trabalho a meio. Não, está-se a sentir bem. Sai. Confesso que mal dou por ela sair, de tal maneira estou embrenhado com o projecto. Ainda por cima o malvado ponteiro do rato estava ortogonal e não parava no sítio que eu queria. Quem é que terá carregado naquele botãozinho ORTHO e como é que eu havia de me lembrar de ir lá ver o que ele fazia. São quatro horas. Ela ainda não chegou. A pastelaria é mesmo aqui ao lado. Tento concentrar-me no trabalho, mas o pensamento já está noutro lado. Não resisto e telefono-lhe. Porcaria. O telemóvel dela toca no quarto. Não o levou. Quase uma hora para comprar pão? Começo a ficar preocupado. Agarro nas chaves e vou à pastelaria que é mais próxima. Quase ninguém e dela, nem a sombra. Há outra padaria lá mais adiante. Por acaso o pão de lá até é melhor. Será que ela foi a essa? Resultado negativo. O tempo está a passar. Ligo para casa na esperança. Ninguém atende. Onde poderá ter ido? Ao Lidl? Ao Minipreço? É uma para cada lado e estou no meio do caminho. Para o Lidl não acredito. Ela não consegue subir aquela rampa sozinha. Pode ser que pela loja do chinês. Nada. Volto para casa e tento o telefone novamente. Nada. Terá ido até ao rio? É um lugar que ela gosta. Meto-me no carro e sigo pela Marginal em direcção ao Seixal. Ninguém. Lembro-me que ela deixou o casaco em casa, logo o rio tem de estar fora de questão, mas mesmo assim, volto para trás por ele. Está maré vazia, nem os pescadores por ali andam. De casa não me respondem. Tento ligar para a minha filha mais velha. Quem sabe se não lhe confidenciou algo mais que a mim. Tem o telefone desligado. Sei de cor o número da Cruz Vermelha do Seixal. Também não é difícil, tudo 2. Não foram chamados para nada durante a tarde. Dão-me o número dos Bombeiros. Tinham levado às três e meia uma mulher ao Hospital. O meu coração disparou. O nome era o mesmo, o apelido parecido, podia ter sido mal percebido. Foram buscá-la à Cruz de Pau, o que raio terá ido fazer para lá? Ao 4ºC da rua... impossível. Não era ela de certeza, embora os problemas respiratórios me deixassem uma dúvida. Mas não. Não conhecíamos ninguém para aqueles lados. Ligo para a esquadra da Cruz de Pau. Será que houve alguma ocorrência... Não. Tudo calmo. Volto para a zona à volta de casa. Percorro todas as ruas e ruelas na esperança de ver qualquer movimento inusitado, até que toca o meu telemóvel. É o número de casa. Ainda é cedo para os miúdos. Chegou a casa.
   __ Estou, Zé Victor? Saíste?
   __ Já vou para casa. Estás bem? __ Tinha ficado à conversa com uma vizinha, todo esse tempo metida na escada de uma casa. Não deu pelo tempo passar. Agora meteu-se na cama, que está muito mal... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 19:57
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Terça-feira, 18 de Janeiro de 2005

O exame da Sandra.

   Que paciência!...
   Se eu tivesse de marcar o ponto a horas certas, como é que este pessoal se arranjava sem mim?.


   O dia começou com a confusão costumeira. Logo de manhã fui confrontado com uma alteração de hábitos inesperada. A Sandra tinha uma consulta e uns exames para fazer, logo não ia às aulas. Deixá-la dormir mais um bocadinho... Chamo o Rafael. Já estou a prever o que vai ser o meu dia para trás e para diante. Saio do banho. Onde anda o miúdo? Ainda a dormir? Levanta-te que já são quase oito horas. Faltou à primeira aula. Tomamos o pequeno-almoço. A Sandra vai com a mãe ao médico. Passado um bocado telefona-me.
   __ Paie?! Podes vir buscar-nos? __ Ir buscá-las ao médico, levá-las aos exames, voltar para casa, tentar trabalhar mais um pouco...
   Tocam à campainha. É o Rafael. Deixo-o ir para o quarto, mas passado um bocado está ao pé de mim.
   __ Pai, fazes o almoço? __ Mau, penso eu, deixando de lutar com o AutoCad. O que se passa?
   __ Tenho de ir para a escola. Falta uma hora.
   Almoço rápido: arroz fervido com uma pitada de caril, sopa de caldo de carne com um punhado de massas e um tacho com cebola e metade de um chouriço cortado aos bocados. Refogado. Duas latas de salsichas às rodelas lá para dentro. Mexe tudo. Junta uma lata de feijão preto e um pacote de natas. Toca o telemóvel.
   __ Zé Victor, achas que aguento até casa? __ Hummm. Caldo entornado. Eu é que sei? Se já me estás a telefonar o melhor é dizeres logo que queres que te vá buscar, senão tinhas vindo a pé. Estás onde? No parque?! Não podias ter escolhido melhor sítio para esperar. Agora tenho de dar a volta aquilo tudo. Toca a meter-me no carro e acelerar que o almoço queima de certeza.
   __ Tenho de ir medir a tensão. Levas-me à farmácia? __ Quase expludo. Então a farmácia era ao lado dos exames e agora tenho de voltar para trás! Porque não foi logo lá ter, que eu ia lá buscá-la? O taxi do Papá. Volta para trás, avenida abaixo. Aqui não se pode voltar. Tenho de ir até ao fim, dar a volta na rotunda.
   Chegámos a casa. Pelo menos o Rafael pôs a mesa e não deixou queimar a comida. Depois do almoço os miúdos riem-se:
   __ Meupp's. __ dizem eles à gargalhada.
   __ Meupp's?!... O que é isso? __ Tentei traduzir mentalmente para algo que eu tivesse utilizado ao almoço.
   __ Matérias Estranhas Utilizadas Pelo Pai... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 19:38
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Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2005

E ficou sem almoçar.

   Que paciência!...
   Se calhar quem está errado sou eu.
   Já a semana passada tinha acontecido algo semelhante, basta relembrar o artigo «Fiquei em casa mas não devia» e hoje o dia repetiu-se, mas com contornos mais graves.


   Chegou o meia-dia e a minha filha pediu-me o computador emprestado para digitalizar umas imagens, por outras palavras, disse-me que tinha acabado a manhã de trabalho.
   Fui ver a minha mulher que continuava deitada. Dormia. Para não ficar sem fazer nada, vou para a cozinha, achei melhor ir fazer o almoço. Uma panela daqui, um tacho dali, tiro a carne que já estava descongelada dentro do micro-ondas. Confesso que nunca percebi isto. Um micro-ondas é para fazer rapidamente qualquer coisa, mesmo que seja descongelar um bife quando nos chega mais um para jantar, agora no dia-a-dia... acho um desperdício. Mesmo de inverno, se deixarmos um bocado de carne congelada fora do frigorífico, ela descongela. Mas quem gelou fui eu, pois a minha mulher apareceu à porta da cozinha, com nada melhor para dizer que:
   __ Para que é que vieste fazer isto? Eu já estava a tratar do almoço! __ Pois estava, só se fosse no país dos sonhos. Ainda lhe digo para me ajudar, mas depois de cortar a carne em cubos para fritar, achei melhor desaparecer de fininho. Como bom marinheiro, as nuvens no horizonte avisavam-me da tempestade no meio da bonança. Saí da cozinha. Vamos ver como se está a safar a miúda. Tinha digitalizado metade de um livro, se não era parecia, pela quantidade de janelinhas minimizadas, seis filas certinhas, e agora queria imprimir aquilo. Queria! Com o anti-virus a fazer a verificação agendada, o player a manipular 12 gigas de mp3's, o Open Office, o Mozilla Firefox com meia dúzia de tabs abertas, o Foxmail e mais meia dúzia de coisas por baixo, não há pentium que aguente. Vou à rua tirar fotocópias, que é mais rápido e barato.
   Regresso a casa pronto para almoçar. Mesa posta, comida na mesa e a miúda já a comer.
   __ A Mãe disse para eu me despachar que entro à uma. __ Onde é que estará a minha mulher? Vou até ao quarto, pensando que se estivesse até a sentir mal, mas não. Está deitada soerguida de lado, telefone na mão, enquanto se ri à vontade com quer que seja que está do outro lado. Pelo menos parece bem disposta, nada de desmaios nem tonturas. Deve ser a mãe, então há conversa para duas horas, por isso o ter mandado a minha filha comer. Vou fazer o mesmo.
   Já estava no café quando apareceu.
   __ Já comeste? Nem me chamaste, não conseguia sair da cama... __ Espera aí, agora que está a falar comigo já está doente outra vez? Ainda tento uma desculpa, tipo julguei que ias demorar, mas o mal já estava feito. Direitinha para a cama, queda pelo caminho, ficou sem almoçar... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 17:55
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Domingo, 16 de Janeiro de 2005

Direitos iguais

   Que paciência!...
   Se há Deus para uns e o Diabo para outros, se há dois pesos e duas medidas, se há filhos e enteados, eu sou único de certeza.
   Ontem a minha mulher disse que o melhor lugar para o avô era num lar da Santa Casa da Misericórdia, uma vez que a mãe (dela, e minha sogra) era ainda uma mulher nova para ficar ali a tomar conta do pai (dela, a minha sogra, avô da minha mulher).


   O dia até parecia que ia começar bem. Já estava acordado quando o despertador tocou. É fim-de-semana. Tento uma conversa com a minha mulher, antes de a ajudar a levantar-se para irmos tomar banho juntos. Temos de nos despachar para depois levar a minha filha ao comboio para ir trabalhar. Ajudá-la a levantar-se, uma rotina que até já começa a ter aspectos divertidos, provenientes da habituação. É incrível, como nos adaptamos a tudo.
   Estamos a vestir-nos, ela à espera que eu a calce, quando me lembro do que disse ontem, da mãe sobre o avô. Ao vê-la ali sentada a olhar para mim, e ao lembrar-me do que já lhe fiz hoje, não pude conter um riso abafado, que logo desencadeou o que iria tornar-se a nossa tempestade matinal. Para variar.
   __ Estás-te a rir de quê? __ Perguntou-me, olhando para o meu ar divertido. Ainda bem que eu estava bem disposto, e como não sou pessoa de rodeios, falei-lhe do que ela tinha comentado ontem e da comparação com a nossa vida. Estava neste momento a calçar-lhe os sapatos. Devia ter ficado calado. Nunca mais aprendo.
   Que ela nunca me tinha pedido para a ajudar, que não era a mesma coisa, que ela fazia mais que o avô...
   Pois. Uma filha não pode tomar conta de um pai que muito tem feito por ela, porque é uma mulher nova, tem de sair, tem a vida dela, e ainda por cima tem dinheiro suficiente para uma vida desafogada, herança de um marido que tudo fez por ela e para a deixar bem. E eu? Qual a diferença? Fico relegado para o lugar de marido que disse um «Sim» na igreja, «para o bem e para o mal» que sou bem mais novo, e que ainda por cima tenho de lutar pela vida para pagar a renda da casa, água, luz, gás, comida, médicos, exames, medicamentos, etc... Não há dia que ela não me diga que tem de ir ao hospital, ao médico, aos exames, que eu não arranje maneira de parar a minha vida e ajudá-la no que precisa, tantas vezes com o melhor remédio de todos, a compreensão. Só esperava e desejava que esse esforço fosse reconhecido. Acabei a lavar a loiça do pequeno-almoço sozinho, enquanto ela estava sentada à mesa a olhar para o dia de ontem. Como vai sendo hábito... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 09:58
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Sábado, 15 de Janeiro de 2005

A minha sogra saiu de casa outra vez!

   Que paciência!...
   Se eu não incomodo ninguém, porque é que não fazem o mesmo comigo?
   O dia foi uma loucura. A toda a hora, a todo o momento, o telefone tocava. Ora era a minha sogra, ora a minha cunhada, outras vezes a minha mulher a fazer de pombo-correio entre elas. A minha sogra foi morar com os meus cunhados já há muito tempo. Que sorte, estou já a ver os vossos sorrisos de orelha a orelha, só que o telemóvel aproxima tanto as pessoas, que estarem aqui ou na China a diferença é pequena.


   Hoje foi um desses dias. Acho que a empregada dos meus cunhados não aceitou bem a sugestão da minha sogra em andar pela casa com «uma batinha e uns chinelinhos nos pés...» [sic] em vez dos ténis e do fato de treino azul com uma risca branca, justinho ao corpo que até é magrinho, cheio de curvas, o cabelo num grande rabo de cavalo... e eu nunca a vi. Pois, já estão a ver o filme todo.
   Se juntarmos a isto que o pai da minha sogra estava de cama com uma gripe qualquer e que a empregada não queria ficar em casa a tomar conta dele e a levá-lo ao médico porque só recebe 20 contos por duas horas que lá vai limpar a casa todos os dias, o ambiênte estava propício a tombar para que lado? O da minha cunhada que tinha de ir de Cascais a Lisboa ver o avô e levá-lo ao médico, só que ela também não foi muito cooperante, pelo que a zanga estalou e vai daí a minha sogra agarra nos tarecos todos dela e sai de casa para voltar para a sua casa em Camarate.
   E agora começa o meu Calvário... telefonema um da minha sogra para a minha mulher:
   __ A tua irmã não se preocupa comigo e blá, blá, blá (dá para hora e meia ao telefone. A minha mulher responde «Sim, Mãe, Pois, Hum hum, Sim, Claro que a estou a ouvir!)».
   Telefonema dois da minha cunhada para a minha mulher:
   __ A Mãe deixou-me e saiu de casa, blá, blá, blá... (mais de uma hora ao telefone).
   Telefonema três da minha mulher para a minha sogra. Mais outra hora...
   __ Mãe, veja lá, deixou a Dadinha preocupada.
   Telefonema quatro, cinco, seis:
   __ Estou na Área de Seviço, não sei se volte...
   __ Estou, Dadinha? A Mãe já te telefonou?
   __ Oh, Mana, a Mãe não me atende o telefone!...
   __ Teresa? Queres almoçar?... __ Digo eu. Claro que não é boa altura! Em que é que eu estaria a pensar? Como interromper semelhante fono-novela? Hora de almoço para mim e para os miúdos.
   __ Quê?! Já comeram? Não podiam ter esperado por mim? __ Volta para o quarto... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 23:32
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Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2005

Limpeza pré-histórica

   Que paciência!...
   Se cada dia que passa formos acabando um pouco do que ficou para trás, e não deixarmos atrasar mais do que já está, há-de chegar a altura em que tudo fica em dia.


   Afinal a reunião programada com o arquitecto já não é em Lisboa. Vou dar uma voltinha até aos lados de Sintra. Pelo menos aprecio a paisagem, sempre que a oportunidade o permite. Como de costume um dos sócios do Boot vai chegar atrasado. Começamos a falar com um dos comerciais dos equipamentos. Tem de se orçamentar todo o tipo de maquinaria, balcões frigoríficos, fornos, bancadas. O que parecia durar pouco, demorou para lá das três da tarde. Valeu o almoço num restaurante vazio para recompor. Durante o resto da tarde continuam-se a discutir assuntos diversos. Agora discutimos o sistema de ventilação e ar condicionado com um dos candidatos à obra. Demora-se. Às duas por três já não há avanços nem recuos, por outras palavras, já não se está ali a fazer nada, mas parece que ninguém quer ir embora. Reunião detestável, tipo pescadinha de rabo na boca. Chego a casa tardíssimo. Ops! Devia ter chegado mais tarde ainda. Do jantar, nem rasto. Já sei o que isso quer dizer. Mulher na cama, filhos a olharem para mim. O «Super-Pai» vai ter de salvar a situação. Chega mais um para jantar. Onde comem cinco, comem seis. Vamos a isto.
   Bocados de frango para a panela, a cozer. Já vai dar sopa. Tacho com água ao lume. Basta ferver e colocar esparguete. Ao lado, cebola, alho, natas, condimentos qb. Quando o frango estiver cozido, tudo lá para dentro. A disposição vai diminuindo à medida que o tempo passa e o jantar não melhora nada.
   Olho a cozinha. Metade das coisas não cabe na máquina, que ainda tem a loiça do almoço. Antigamente, também se lavava a loiça à mão. Ainda me devo lembrar disso. Tenho que normalizar as coisas aqui em casa, resmungo comigo próprio. Fico até admirado como consigo coordenar tipos de barba rija nas obras e cá em casa não consigo nem que os miúdos arrumem as coisas deles. Aproveito eu para arrumar as bancadas e dar uma esfrega no fogão. Caramba, aquilo está mesmo mal. Será que devo ver por trás? Lembro-me de uns desenhos animados em que a Cinderela pergunta a um passarinho:
   __ É preciso limpar onde não se vê? __ consegui envergonhar-me a mim próprio. Arrasto o fogão para o lado, e eu... quase caio para o lado, também. De repente transformo-me em arqueólogo, tentando descobrir uns azulejos pré-históricos por baixo de camadas de estratos (desculpem a repetição, mas estratos e camadas é a mesma coisa) das mais diversas cores. Pareceu-me ouvir alguém dizer:
   __ Pai, deixa estar que nós fazemos isso! __ mas devia estar a sonhar... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 23:42
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Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2005

Para quê tanto barulho?

   Que paciência!...
   Se dois homens no deserto encontrarem dois poços, ambos vão querer beber do mesmo.
Às vezes penso que é bom ser filho único, mas também nunca saberei que felicidade podem trazer os irmãos, só que me é muito difícil entender questões entre eles. Será que é isso que acaba por alicerçar a sua relação?


   Estava a tentar trabalhar, complementar algumas coisas para uma reunião amanhã com o arquitecto e os donos da obra. Analisava preços, tipos de lâmpadas, candeeiros e sinalética das mais variadas, quando o ruído vindo do quarto dos miúdos me fez exasperar. Nem o som do mp3 a tocar abafava a questão. Que se lixe o sistema de iluminação por leds. Vamos lá a ver o que se passa lá dentro.
   Uma gritava, o outro chorava e ninguém me ouvia, ou fazia por isso. Bons tempos da tropa.
   __ Chega!...


Olá docerebelde. No seguimento do teu comentário em Toca a fazer as camas. posso responder à tua pergunta. Não sou do Exército, mas já fui, embora tenha iniciado os meus serviços militares na Marinha. Foi um tempo que teve coisas boas e coisas más. Fiz muitas coisas de que me orgulho, embora de outras nem tanto. Fui muito rebelde, pisando frequentemente a ténue linha que separa o cumprimento do dever, da desobediência. Do que vi, e do que me lembro, agora só quero esquecer, se puder.



   Depois, mais civilizadamente, tento perceber o que se passou.
   __ Foi o Rafael que quer ter ali o portátil e assim eu não consigo mexer o rato... __ e quase ao mesmo tempo:
   __ A Sandra podia passar o rato para o outro lado para eu poder jogar ali. Assim o portátil não cabe. Ela arranhou-me.
   __ Não arranhei nada, só fui buscar o rato. Empurrei-o.
   __ Pois, ainda me doi o pescoço.
   Conto até dez. Desta vez tenho de dar razão à miúda. Bastou virar o portátil para o outro lado, para já não haver conflitos com o rato. Já bastam os programas e os drivers e o hardware e...
   Ainda não me tinha sentado outra vez, quando a discussão reacendeu. O que terá sido agora? Será que o MSN bloqueou o Days of Thunder? Novamente choros e zangas.
   A culpa é da Sandra, que tem o diskman, podia desligar a televisão... __ e quase ao mesmo tempo:
   __ Eu gosto de ouvir música e nem está muito alta!
   __ Mas assim eu não me consigo concentrar e já me despistei duas vezes naquela curva. __ Concentração?! Se calhar estava a estudar...
   Está visto. Hoje ele está para deixar os meus poucos cabelos em pé. Direitinho para o pé de mim ler um Harry Potter qualquer.
   No quarto, houve um arrufo e o silêncio voltou, só quebrado pelo barulho das teclas. Então?! É melhor não dizer nada. A situação está controlada... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 22:52
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Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2005

À moda antiga? Népias.

   Que paciência!...
   Se há pai compreensivo com os filhos e aberto às novas tendências juvenis, garanto que acredito ser um deles. A relação que tenho nesse aspecto com os meus miúdos é fantástica. Pedem-me sempre para sair, dizem onde vão e com quem, a que horas voltam, e, acima de tudo cumprem. è preciso mais que isto? Acho que não, e daí, muitas vezes o choque entre duas épocas diferentes.


   Andei de um lado para o outro como uma barata tonta. Tive de tirar o fim da tarde para levar a minha mulher ao hospital. Em casa ficaram os dois mais novos. Sozinhos. Vou para Almada, com a firme convicção que deixo para trás um conflito em tudo idêntico ao do Médio Oriente. Ou vai ser pelo computador, ou pela televisão, ou pela consola de jogos, se não for pela música ou simplesmente porque... sim. Como é que dois irmão podem ser tão embirrentos um com o outro , quando querem!
   Chego com a minha mulher no Garcia da Orta. Ao sair do carro, cai redondinha no chão, como já estava à espera, mas não deu tempo nem para a agarrar. Em menos de um minuto já recuperou, mas mesmo assim acompanho-a à triagem onde entra muito direita. Mal se consegue mexer. Mandam-na direitinha para o Otorrino. Já sabia que os ouvidos têm alguma coisa a ver com vertigens e equilíbrio, mas não acredito muito que o problema dela seja ouvidos, mas também já nem sei em que acreditar. Deixo-a no Hospital, que em casa já deve estar tudo virado do avesso, e são horas de pensar no jantar.
   Em casa, tenho de por todos a fazer qualquer coisa. Já é noite e mando os dois ao Lidl comprar meia dúzia de coisas. Lá vão amuados, porque eram horas do Doraemom e de ouvir o último som de uns quaisquer rappers... ai, ai, tive de apelar:
   __ Já! __ Deu resultado.
   Ataco a sopa, que em breve ferve, enquanto avanço um guisado ultra-rápido. Tocam à campainha. É a minha mais velha e o namorado. Vieram ajudar? Querias... Ambos com muito que fazer. Toca o telefone, a minha mulher já está despachada e quer que a vá buscar. O dia ia terminar da pior maneira.
   __ Podes ir buscá-la que nós ficamos cá à espera deles. __ disse-me a minha filha, referindo-se aos dois irmãos.
   Não sou (pelo menos não me considero) um pai retrógado, antiquado, quadrado, e outros termos que tais. Não lhe marco horas para entrar em casa, nem lhe pergunto onde vai. Ela, é que me diz sempre. Temos essa ligação, mas hoje parecia estar virada para o outro lado. Continuou.
   __ Mas não vais, porquê? __ Até parece que tenho de lhe fazer o desenho.
   __ Porque não te deixo cá em casa sózinha com o Mário. __ E agora o que faltava para me encher o dia. Queria ir dar uma volta, para deixar cá o namorado à espera dos irmão enquanto eu ia buscar a mãe ao hospital. E fazê-la entender que só iria quando os irmãos chegassem, e que não valia a pena ela sair, e que nem tinha jeito nenhum o que ela estava a propôr. Enfim... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 21:09
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