Terça-feira, 1 de Fevereiro de 2005

O meu Pai e os medicamentos

   Que paciência!...
   Se há pessoas esquisitas com os medicamentos que tomam, uma delas é o meu Pai. Não sei porque é que ele não foi para médico. Ele é que sabe quais são os que lhe fazem bem e os que lhe fazem mal. E não é só com ele, é também com as outras pessoas. Se for a um médico que lhe receite qualquer coisa que ele não goste, vai a mais um e outro, se for preciso até que lhe dêem aquilo que ele julga ser bom. Se conhece alguém que está a tomar algo que le já tomou e não gostou, não descansa enquanto não convence a abandonar essa prescrição e recomeçar outra.


   Fui com o meu Pai ao tratamento. Tinha consulta. Após alguma espera fomos chamados. A médica mal olhou para ele, limitando-se a analisar a ficha.
   __ Vai continuar a colocar o Biafin que lhe receitei da última vez. Ainda tem? __ Foram as palavras erradas. Enfim, veja-se o seguimento.
   __ A Sra. Doutora desculpe, mas eu comprei esse creme e não me dei nada bem com ele. Não será melhor o Bepanthene? __ Já está. A médica engoliu em seco e olhou para mim.
   __ Bem, isto de cremes para a pele... é como um tiro no escuro, as pessoas é que sentem o efeito, e devem ser elas a decidir qual o melhor, temos de ir tentando. Passou então a receita com o Bepanthene, soro fisiológico e óleo de amêndoas doces. Vamos lá comprar isso.
   __ Eu tenho de ir à farmácia do Hospital Militar. Fica ali já. Sabes onde é, não sabes? __ Eu sabia que estava quase em Benfica. O Hospital Militar fica para a Estrela. São cinco horas. O trânsito deve estar infernal e «só» tenho de atravessar metade da cidade, passando por todos os engarrafamentos da zona do Marquês e do túnel, e sei lá que mais. Tem mesmo de ser lá? Tem pois. Para que é que perguntei? Lisboa tem uma centena de farmácias, mas só aquela é que tem o Sr. Eufrásio, ou lá como se chama, que percebe muito destas coisas. Ainda ia confrontar o creme, de certeza.
   Não há um único lugar para estacionar. Tenho de deixar o carro mesmo junto a uma placa que proíbe até a paragem, mas como já lá estão mais meia dúzia, à boa moda do português, vamos lá arriscar.
   Afinal o dito conhecedor não se pronunciou sobre o creme, como ele queria. Acabou por não o comprar. Ia ver melhor! Mas valeu a pena vir aqui, nem que seja pelo desconto que me fazem. Desconto? Olho o recibo. Desasseis cêntimos num tubo de soro fisiológico! Atravessei metade de Lisboa em plena hora de ponta para poupar desasseis cêntimos! Tenho de fazer o mesmo caminho para voltar à Alameda... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 22:45
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1 comentário:
De Plantacarnivora a 8 de Fevereiro de 2005 às 11:49
Há poupar e poupar, 16 centimos??? Boa, é no poupar é que está o ganho e grão a grão enche a galinha o papo. Rico pai, eu conheço um assim tambem, mas não é o teu, pois não tenho irmãos. Obrigadaaaaaa ...fui...mas: volto e deixo bjs


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