Terça-feira, 8 de Fevereiro de 2005

Mal distribuido.

   Que paciência!...
   Se um dia casamos com alguém, é porque realmente gostamos dessa pessoa, e queremos fazer o resto da nossa vida com ela. Sei que o casamento é para o bem e para o mal. Mas há alturas em que pensamos seriamente que a distribuição ficou mal feita.


   Não sei porque é que às vezes ainda tento, ainda me esforço. Devia convencer-me de já não vale a pena, mas há sempre uma réstia de esperança. Às vezes penso que só eu é que ainda a vejo, ou pelo menos desejo vê-la. A minha mulher está cada vez pior, não só física como mentalmente. Bem, acredito que uma leve à outra. E vice-versa. Para não estar sempre sozinha metida no quarto, comecei a trazê-la aqui para a sala, que funciona também como o meu escritório. Tenho um sofá onde ela se pode deitar. Pelo menos tem companhia, embora passe a maior parte do tempo a dormir. Quanto a isso já não sei o que fazer. Também, a tomar tantos comprimidos, como ela toma, eu acho que não aguentava. Aqui há dias contei-os. Eram 23! E isto, os que dei conta, porque sei que às escondidas toma mais.
   Estou a trabalhar no computador quando a sinto mexer-se no sofá. Destapou-se. Sei que tem sempre muito frio e fui lá tapá-la de novo com o meu saco-cama, que está dobrado em dois. Nunca entendi como é possível ela ainda ter frio. Eu, lá dentro, asso! No verão tenho de usar um mais fresco. Este é só mesmo para o Inverno. Passado um bocado mexeu-se outra vez. Não sei se foi boa ideia trazê-la para o pé de mim. Não presto atenção ao trabalho e estou sempre a ver o que lhe está a acontecer. Pronto, agora caiu para o chão. Lá vou eu outra vez. Tento levantá-la, mas pesa como chumbo. Também, onde quer que a agarre só apanho roupas, e ela não está a ajudar nada. Casaco de lã, outro casaco mais fino, pullover, camisola, mais uma camisola interior, fora pelo menos 40 quilos de banhas que complicam com os meus braços quando a tento levantar. Parece uma bola, ou melhor um daqueles bonecos sempre-em-pé, só que neste caso é um sempre-deitado-no-chão. Tenho de chamar a minha filha para me ajudar. Ainda bem que já veio das aulas. Confesso que me enervei, mais por não a conseguir agarrar em lado nenhum e por ela teimar em se deitar para o chão. Finalmente, os dois, lá conseguimos pô-la de pé. Já começou a reagir e levamo-la para a cama. Penso duas vezes se vale a pena tê-la na sala comigo, enquanto arrumo os estragos que ela deixou para trás... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 20:39
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