Quarta-feira, 2 de Agosto de 2006

Telefonema a meio da noite

Estava a dormir a sono solto quando tocou o telemóvel da minha mulher, fazendo-me pensar que era o despertador a indicar-me a hora de levantar. Mas estava enganado. Eram 2 e 20 da manhã! Nem queria acreditar no que me estava a acontecer. Se há coisa que detesto é acordar a meio da noite, porque depois tenho uma enorme dificuldade em tornar a adormecer. Rolo para um lado, rodo para o outro, e com este calor, então é insuportável.
A conversa parecia que não ia levar a lado nenhum, até porque eu estava a tentar nem a ouvir procurando o aconchego da almofada, quando ela começou com «aquilo» outra vez.
__ Tenha calma D. Paula. Vai fazer exactamente o que eu lhe vou dizer. __ Silêncio durante um bocado, e depois com uma voz mais profunda, apropriada ao tipo «Além»:
__ Vai colocar os braços nos ombros da D. Hermínia, com força, e vai ordenar: «__ Respira mais devagar!»
De novo mais um bocado de conversa à volta do mesmo tema. Quem quer que fosse devia procurar não só um conselho mas também devia estar na expectativa sobre qual a atitude correcta a tomar, quais os procedimentos adequados à situação que se desenvolvia. Talvez na dúvida ou na esperança de uma certeza.
__ Vá lá D. Paula. Faça exactamente como eu lhe disse. __ Nova alteração no tom de voz. __ Coloque-lhe os braços com força nos ombros e mande-a respirar mais devagar.
__ Eu aqui depois trato do resto. Sim, de certeza. __ Continuou.
Virei-me tentando encontrar de novo o sono espantado. Nem quis saber o que foi ou ia fazer a seguir, nem sequer como pretendia «tratar depois do resto». Não consigo perceber «tratamentos» via éter ou limbos. Já me custa entender consultas por vídeo-conferência que hoje em dia se pretendem vulgarizar como forma de rentabilizar as instalações hospitalares. Fenómenos para-psicológicos ainda não me convencem, mero mortal preso nos limiares dos séculos XX e XXI e nos meandros da tecnologia, da comunidade global, da informação on-line. Confesso que ignoro o que aconteceu, pois apenas ouvi as palavras dela e não as de quem lhe telefonou, mas se era alguém a queixar-se de que outra pessoa estava com dificuldades respiratórias ou nervosas que fossem, não seria com ordens que se ia conseguir resolver a questão. Os serviços médicos, como o INEM, deveriam ser bem mais apropriados.
Claro que vi «O Exorcista» em 1973, mas nessa altura era um adolescente.
Estou farto disto.

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Nota: os nomes utilizados são fictícios.
publicado por vkthor às 20:21
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