Sábado, 12 de Fevereiro de 2005

Cinquenta euros numa corrida.

   Que paciência!...
   Se bem me lembro (esta frase era do saudoso Vitorino Nemésio) sempre houve assaltos, e os ladrões são tão antigos como a história. Em alguns povos, roubar era sinónimo de posição social, noutros apenas substituído por palavras mais grandiosas, como conquistar ou expandir. Para mim, em qualquer dos casos é uma forma degradante da sociedade.


   Fui com o meu Pai à consulta de Dermatologia. Aquilo está mesmo com mau aspecto. A pele à volta da zona do nariz está toda vermelha, inflamada, com algumas crostas amarelas. Nas narinas, parece sangue coagulado, impedindo-lhe a respiração normal. Para quem sofre de asma e de bronquite crónica, não é muito bom.
   Afinal parece que as crostas amarelas são mesmo causa do tratamento que fez, e hão-de cair normalmente. As outras já não são bem assim, são fruto de uma infecção que agora só pode curar com antibiótico. Palavra errada que de imediato gerou acesa discussão com a médica. Tinha mesmo de o tomar, arrancou-lhe a promessa no meio de alguns resmungos, pediu-me para me ir certificando que ele cumpria o tratamento. Fácil de dizer, mas impossível de cumprir. Eu já conheço o meu Pai. Se ele não quiser tomar os medicamentos não toma mesmo, e depois vai saltando de médico em médico. É complicado. Vou ter de apelar para a minha Mãe e ver o que ela consegue fazer. Eles que se entendam. A minha parte está cumprida.
   Quase inacreditável. Consigo nova consulta de Dermatologia para o dia 16 e Otorrino para 17. Devem estar mesmo com vontade de ver este caso terminado. À saída, pequena guerra com o meu Pai. Quer ir à procura de um sítio para tirar fotocópias à receita! Para seguir à risca as indicações da médica, pois os farmacêuticos enganam-se a escrever a forma de tomar os medicamentos nas caixas e é por isso que ele não se cura. Quem o ouvir até é capaz de acreditar. Vamos lá mas é procurar uma farmácia. Há uma perto do Chile. Fica no caminho pra casa.
   Já dei duas voltas às redondezas, mas não há onde parar o carro. Fico um pouco à frente da farmácia, em segunda fila. Mesmo ao lado de um carro bloqueado. Mau presságio. O meu Pai vai comprar os medicamentos enquanto espero dentro do carro. Deve ser só um bocadinho, mesmo assim agarro num livro e vou lendo. Um capítulo, outro, talvez a farmácia esteja cheia de gente. É época de gripes. Não posso sair e deixar o carro ali. Esperemos. Mais uns capítulos até que ele chega ao pé de mim. Cara de caso. Já me vou habituando.
   __ Ai, filho, nem sabes o que me aconteceu! __ Aguardo curioso. __ Tinha o dinheiro para pagar os medicamentos... __ E não dizia mais nada. Pensei que o tivesse perdido. Se fosse preciso eu tinha ali a carteira.
   __ Não, tinha-o na mão. Cinquenta euros! Ia pagar os medicamentos ao homem.
   Resumindo, tirou o dinheiro das carteira para pagar a conta, e um indivíduo que estava ao lado arrancou-lhe a nota da mão e toca a fugir porta fora. Toda a gente na farmácia ficou a olhar sem perceber nada. Até o meu Pai demorou a entender o alvoroço... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 10:37
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