Sábado, 5 de Março de 2005

Saltos altos.

   Que paciência!...
   Se há coisa que não consigo entender, é como há pessoas que conseguem dizer que algo que fizeram está bem feito, quando todos estão a ver que não. Já na minha vida profissional isso aconteceu por várias vezes, seja com colegas ou subordinados, algo não funcionava, algo não estava bem, e raramente assumiam o erro, mesmo quando este se apresentava flagrantemente.


   Hoje levei a minha filha mais velha ao Hospital Garcia de Orta. Porquê? Recuemos no tempo. Uns anos atrás.
   A ambição dela sempre foi o desporto. Desde cedo me acompanhou em provas e passeios de BTT, e pela escola participou em diversas provas de atletismo. Fazia coreografias de dança para miúdos em vários colégios. Participava noutras. Queria tirar o curso na Faculdade de Motricidade Humana, ou seguir uma carreira no exército, começando a cimentar desde cedo essa opção, preparando-se para fazer os testes físicos de admissão à Academia. O momento alto dela, e último foi em 2000 ao ficar classificada em 1º lugar na Milha Urbana do Seixal. Queixou-se de dores num dos pés. Nas consultas que se seguiram, verificou-se que as mesmas eram devidas a algo muito comum, e que se costuma chamar de pé-chato. O pé não assentava completamente no solo, daí as dores. Daí também o facto de entortar qualquer tipo de sapato de salto alto. A única solução era ser operada, um pequeno enxerto de osso, com um periodo de recuperação de seis meses, resolveria a situação. Faltavam dez meses para as provas de admissão, o tempo de acabar o 12º Ano. Pesaram-se os prós e os contras. Não havia contra-indicações, a operação seria uma coisa simples, e a convalescença rápida. Faltaria no máximo uma semana às aulas. Em poucos meses deixaria as muletas. Foi operada, e a vida dela mudou radicalmente. Sem haver complicações, para uma operação que foi um sucesso, demorou mais do que era esperado até poder começar a andar. Em casa, vivia sendo transportada ao colo. Na escola também. Assim que conseguiu começar a andar, verificou-se que as muletas começaram a fazer parte da vida dela por muito tempo, mais do que esperado. Acabou o ano com boas notas, mas sem poder concorrer à Academia, que era o seu sonho. Não podia fazer as provas de muletas. Entrou para a Universidade Nova, enquanto aguardaria nova oportunidade no ano seguinte, que nunca chegou. Nunca mais correu, nunca mais dançou.
   Hoje, a médica olha para ela e diz que está tudo bem. A operação foi bem feita e foi um sucesso. Conseguiu o que queria, que era imobilizar o pé, como se este fosse uma prótese. Sem movimento, sem elasticidade, sem rodar ou dobrar, com o único objectivo de lhe tirar as dores provocadas por uma má postura natural. Agora as dores continuam, só que devidas a uma má postura originada por um pé que não se mexe. Mas pode-se resolver também, com mais outra operação, com infiltrações, quem sabe, mas não há garantias de nada, só certezas desencorajantes. Ela nunca mais vai correr, saltar ou dançar, nem usar um simples par de sapatos de salto alto... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 12:54
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3 comentários:
De 2chemp a 24 de Dezembro de 2005 às 17:57
teen girls (http://teengirls.dnip.net)
blá blá blá...
Pô... até aqui há span???...


De paula a 8 de Março de 2005 às 10:50
pois......sem comentários!!!


De frases&pensamentos a 6 de Março de 2005 às 00:32
Bem feita.......bem feita........rs


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