Terça-feira, 8 de Março de 2005

Tributo.

   Que paciência!...
   Se há alguém que hoje o merece são as mulheres. Por mais que não lhes queiramos dar valor, elas têm-no Às vezes é pena que só sejam lembradas nestes dias, mas os tempos estão a mudar. Eu sou a prova viva disso, embora confesse, não me agrade nada, nadinha mesmo. O pior vai ser se algum dia descobrimos que podemos bem passar sem elas, o que eu não acredito, mesmo. Por todas as razões e mais aquela, aquela que, bem, vocês sabem, acho eu, talvez, sei lá, pelo menos deviam saber.


   Levantei-me mais cedo que os outros. Tomei banho, acordei a minha filha do meio, vesti-me, preparei o café, acordei o miúdo, tomei o café, fui buscar pão para eles, ouvi os resmungos da filha que lutava com a maquilhagem, levei a roupa ao mais novo que estava na banheira, fiz nova dose de café, reclamei com a filha por sair para a escola como se fosse Verão, choco com a mais velha no corredor, ponho a roupa a lavar, dou de comer ao piriquito e mudo a areia da gata, despeço-me do miúdo que também vai sair para a escola. Entro no quarto deles. Fico sem fala, camas por fazer, roupas espalhadas por todo o lado, o computador ligado. Tocam à campainha.
   __ Paie! Tens um euro? __ Procuro nos bolsos. Dou-lhe dois. Digo que quero o troco, embora saiba que nunca o vou ver. Tento colocar-lhe remorsos por ter deixado o quarto todo desarrumado, mas já vai no fundo das escadas. Faço as camas. Despeço-me da outra. Deixou a cozinha de patas para o ar. Lavo os copos, limpo o fogão, arrumo a loiça. Passo a esfregona no chão. Já está bom. Apanho a roupa. Passo as camisas a ferro. Ia deixar as toalhas, mas vale mais fazê-lo agora. Vou para o computador. Há um trabalho para terminar. Ainda dá para fazer a matriz de um logotipo. Pelo menos a ideia já está criada. Atendo o telemóvel.
   __ Paizinho... ontem o fecho das minhas calças estragou-se. És capaz de o arranjar? __ Procuro as calças, descoso o fecho. Vou à capelista. Não têm do mesmo tamanho. Sigo para outra. Armo a máquina de costura. Alinhavo o fecho que dá mais luta que a que esperava. Lá consigo cozê-lo. O azul da linha não é bem igual, mas escapa. Respondo aos e-mails. Arrumo a máquina. Não me apetece fazer o almoço. Vou comprar um frango assado. Sempre tive que me agarrar aos tachos e panelas. Fazer sopa e arroz. Pôr a mesa. Chegam os filhos. Sou obrigado a assistir ao Doraemon, e a terminar a guerra com a do meio, que queria ver a MTV. Ainda mal acabámos de comer já estavam de saída novamente. Arrumar a mesa, colocar a louça na máquina, premir o botão, limpar o fogão, passar a esfregona no chão, ir ao banco, vá lá que foi rápido, terminar o logotipo que estava a fazer. Responder a mais dois e-mails. Escrever este artigo... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 17:30
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