Segunda-feira, 28 de Março de 2005

Trânsito infernal

   Que paciência!...
   Se eu não andasse com a vida tão complicada, talvez conseguisse manter este blog muito mais actualizado, mas ele, tal como a minha vida, estão tal e qual o trânsito das nossas estradas mal aparecem os primeiros pingos de chuva: um autêntico caos.


   Hoje, ao fim de muitos telefonemas e bastantes e-mails fui finalmente chamado para uma entrevista. Ao telefone, as coisas até pareciam correr de feição. O trabalho era sobre algo que sabia e bem, e até seria ao pé de casa, embora a sede não o fosse. São quase dez da manhã quando me pedem para estar na Póvoa de Santo Adrião antes das onze.
   __ Será que consegue? __ pergunta-me o meu interlocutor. Vai ser preciso quase um milagre. Ainda é hora de ponta na 25 de Abril, o tempo está de chuva, deve haver mais de dez acidentes pelo caminho, e ainda falta a não menos célebre Calçada do Carriche. Dou uma olhada às câmaras do IEP. Em Corroios ainda se passa, mas a descida para Almada já está cheia. Vamos lá tentar.
   Mal entro na auto-estrada vejo um carro já encostado, meio subido na ladeira lateral. Mau presságio. Mais à frente, o primeiro abrandamento. Um toque na traseira, felizmente sem consequências graves para ninguém. Os carros já estavam na berma.. A chuva cai mais forte. Estou a chegar à subida da ponte do Feijó e abrando. Ali também é certinho, quase todos os dias alguém se esquece que os carros fazem fila para entrar na Ponte. Houve alguém que se esqueceu e estavam três carros batidos. Até me admiro como mesmo assim está tudo a andar, devagar, mas anda-se. Chego a Lisboa. Aqui começa toda a gente a carregar no acelerador. Esquecem-se das duas curvas por baixo do viaduto. Estão lá quatro, e todos em muito mau estado. Mas este pessoal não passa por aqui todos os dias? Já deviam conhecer estes pontos negros de cor! De certeza que é para atrasar os outros todos. Do outro lado está um de rodas para cima. Mais à frente uma carrinha estava tombada na valeta. Passam por mim dois (no mínimo) doidos, um na faixa da esquerda a uma velocidade demasiada até para tempo seco, o de trás, ultrapassa-o pela direita, metendo-se à minha frente. Por um triz que me vi a aumentar as estatísticas e a dar cabo do carrinho da minha mulher. Pelo menos já estou em Lisboa e a andar. O mesmo não posso dizer dos outros três amolgados por baixo do aqueduto. O reboque já está lá para os tirar. Mais à frente, em cima do viaduto mais um virado ao contrário. Vou passando estes problemas todos e esperando que não faça parte deles. Chego finalmente ao meu destino.
   __ Já cá chegou? O trânsito hoje está infernal. __ Pouco mais queria saber dos meus conhecimentos que não tivessemos já falado pelo telefone. Serviu para deixar lá o Curriculum antes de voltar a afrontar o trânsito. Bem... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 17:59
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Sexta-feira, 18 de Março de 2005

Consegui.

   Que paciência!...
   Se alguém nos faz um pagamento através de um cheque, especialmente se é a entidade empregadora, ou ex-empregadora, como é o caso, esperamos sempre recebê-lo, transformado em dinheiro. Se fazemos um acordo, devemos respeitá-lo. Só que às vezes parece que só uma das partes respeita os acordos. Aí já é altura de começarmos a repensar as nossas estratégias e opiniões.


   Consegui.
   Durante este tempo todo andei com ele no bolso. Um cheque em tudo igual aos outros cheques cruzados de origem do Banco Espírito Santo. Só que o cheque 2048666.9 da conta 5360 0531 0000 do balcão de Santa Catarina viria a tornar-se diferente embora passado em meu nome e assinado. A história até é simples. Mal me passaram o cheque no dia 1, que era para liquidar contas ainda de Dezembro, pediram-me para só o levantar na segunda-feira seguinte, o que eu fiz, ou melhor, tentei fazer. Qual não é o meu espanto quando verificaram que não tinha provisão e o balcão não autorizava o pagamento a descoberto. Pensei que talvez se tivessem esquecido de fazer alguma transferência. Após alguns telefonemas prometeram resolver-me a questão rapidamente. Em princípio através de transferência directa para a minha conta. Algo que não acreditei, muito. A esperança é sempre a última a morrer. Tornaram-me a dar outra data para poder levantar o cheque. Volto ao banco nesse dia. Nada. Novo telefonema e pedem-me para o depositar. Recuso-me terminantemente. O tempo que o cheque demorava a «passear» pela compensação para eventualmente acabar por me tornar a vir parar às mão por falta de provisão, não me seduzia. Então fica para amanhã, de certeza. Voltei ao banco. Lá, já me conheciam e até brincaram com a situação.
   __ Vamos lá a ver se é desta... __ Bem, profissionalmente falando, também não o deveriam ter dito, mas esse já é um problema deles, e das movimentações internas das contas sabem mais eles do que o público. Infelizmente tiveram razão. Ainda não tinha sido desta vez. Acabo por conseguir um acordo que é trocá-lo por dinheiro num dos restaurantes da empresa. Valeu-me fazer um telefonema antes, para evitar uma deslocação inútil a Lisboa. Hoje, finalmente, pagaram-mo. Ao fim de 18 dias consegui receber o meu dinheiro... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 18:43
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Quinta-feira, 17 de Março de 2005

Esta noite tive um sonho.

   Que paciência!...
   Se de repente acordássemos e víssemos que afinal tudo não tinha passado de um sonho mau? Às vezes acontece o contrário.


   Esta noite tive um sonho. Sonhei que estava numa sala enorme, numas bancadas e ouvia aplausos. À minha volta as pessoas rejubilavam. Olhei para baixo, para onde os populares lançavam vivas. Nas cadeiras, de pé, os deputados da minha nação aplaudiam com entusiasmo. À sua frente os membros do governo estavam sorridentes, o mesmo sorriso que me lembro de também ter quando os meus filhos abrem os presentes de Natal e festejam por esta ou aquela prenda. A razão de tanto júbilo foi a aprovação de uma lei, uma lei que se resumia a poucas palavras:

«Nenhum deputado, nenhum membro do governo receberá o seu ordenado enquanto houver um português desempregado, enquanto houver um português que não tenha possibilidade de levar uma vida digna»

Estava espantado! Eles fizeram-no. Eles realmente fizeram-no! Pela primeira vez em muitos anos preocuparam-se com o povo e queriam prová-lo. Só receberiam o ordenado quando cumprissem aquilo que prometeram, aquilo para que foram eleitos. Partidos do governo e oposição juntos, como nunca fora possível pensar. Tinham deixado as suas quezílias partidárias e juntaram-se para... governar. As cadeiras todas ocupadas eram disso a prova. O gesto de boa vontade, também. Abandonei a sala, enquanto continuava a ouvir os festejos. Estava feliz. Até parecia acreditar que não estava no meu mundo, pelo menos aquele que eu conhecia e me lembrava. Tinha valido a pena as provações da minha juventude e as da minha família. Tinha valido a pena a luta constante e as fugas rápidas. O mundo tinha sido mudado. O mundo estava mudado!
   Esta noite tive um sonho. De repente acordei e verifiquei que vivia o mesmo pesadelo de ontem, estava desempregado... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 21:46
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Terça-feira, 15 de Março de 2005

Mimos.

   Que paciência!...
   Se de repente nos lembrássemos de tempos passados, dos tempos em que se namorava e todo o mundo parecia azul e cor-de-rosa, e conseguíssemos trazer um bocado desse tempo para os dias de hoje, ou ao menos repetíssemos os gestos, os olhares, o carinho que nos uniu!


   A minha mulher está cada dia pior. Embora não se veja, acentuadamente, a infecção vai-a minando e ao fim de três semanas e duas caixas de antibióticos, pelo menos deveria estar a melhorar.
   Hoje levei-a de novo ao Hospital. Mais testes, exames, análises e radiografias. Tem ainda para mais um mês, no entender dos médicos de serviço. Mandaram-na para casa, meter-se na cama e evitar sair a todo o custo, por forma a evitar uma recaída que poderá ser fatal.
   Custa-me vê-la assim na cama. Preferia dez vezes mais quando ela se metia lá por qualquer outro motivo, mesmo pela sua constante falta de saúde, que agora, assim, sempre com febre, quase sem se mexer, e parecendo mendigar um bocado de atenção.
   Fiz-lhe um galão para o lanche e umas torradas. Sei que não devia comer tanto, mas também todos os comprimidos que ela toma, estarem a trabalhar num estomago vazio, não deve ser mais saudável. Quando se recompuser, há-de-se arranjar maneira de tornar a recuperar o peso.
   Há muito tempo que não lho fazia, se calhar nem nunca o fiz, já não me lembro, mas arranjei um tabuleiro, coloquei-lhe um daqueles paninhos bordados do tempo em que ela se preocupava com o enxoval, dois pratos do serviço e abonequei tudo. Nem a rosa num solitário faltou para lhe dar um ar de graça. Hoje, em vez de a ajudar a vir à mesa, levei-lhe o lanche à cama.
   Às vezes há coisa que fazem melhor que os medicamentos. A expresão dela ao ver, fez-me ganhar o dia e pensar que talvez devesse fazer isto mais vezes. Entretanto resta-me ajudá-la a ultrapassar estes momentos, e aguardar... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 19:08
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Domingo, 13 de Março de 2005

Desempregado.

   Que paciência!...
   Se há números que todos os dias aumentam são os de pessoas desempregadas. E nos dias que correm quer haja boas habilitações ou referencias ou não, pelo menos parece que é cada vez mais difícil arranjar um emprego.


   Hoje juntei-me ao clube. Já há uns tempos que estava a pensar deixar o meu trabalho e procurar outra coisa. Realmente não estava satisfeito com ele, nem com o rumo que as coisas estavam a tomar, mas acabei enchendo. Já não me lembro quando foi a última vez que recebi o meu ordenado por inteiro, até que aos poucos começou a passar de um mês para o outro. Sem receber os ordenados de Janeiro e Fevereiro acabo com um cheque de 500 euros na mão, referente ainda a contas atrasadas do ano passado, mas sem provisão. Fico admirado com quem ainda tem cara para se ver todos os dias ao espelho e deixar «rabos» destes dependurados por todo o lado. Naquela empresa não fui o primeiro que suou as estopinhas para receber o seu dinheiro, e certamente não serei o último. enquanto o administrador/gerente/proprietário continua a viver na sua recém adquirida moradia em Sintra, a passear de Volvo e a fazer uma vida bonita à custa do meu dinheiro. Acabei de receber uma mensagem no meu telemóvel. O número já é meu conhecido: 707227276 - A Telepac alerta que tem facturas em atraso etc. etc. Desde que tratei do acesso ADSL para a empresa, que todos os meses tenho recebido uma. Desta vez, nem vou avisar. Hão-de descobrir. Entretanto vou tentando arranjar novo emprego e receber o que ainda me devem... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 18:58
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Terça-feira, 8 de Março de 2005

Tributo.

   Que paciência!...
   Se há alguém que hoje o merece são as mulheres. Por mais que não lhes queiramos dar valor, elas têm-no Às vezes é pena que só sejam lembradas nestes dias, mas os tempos estão a mudar. Eu sou a prova viva disso, embora confesse, não me agrade nada, nadinha mesmo. O pior vai ser se algum dia descobrimos que podemos bem passar sem elas, o que eu não acredito, mesmo. Por todas as razões e mais aquela, aquela que, bem, vocês sabem, acho eu, talvez, sei lá, pelo menos deviam saber.


   Levantei-me mais cedo que os outros. Tomei banho, acordei a minha filha do meio, vesti-me, preparei o café, acordei o miúdo, tomei o café, fui buscar pão para eles, ouvi os resmungos da filha que lutava com a maquilhagem, levei a roupa ao mais novo que estava na banheira, fiz nova dose de café, reclamei com a filha por sair para a escola como se fosse Verão, choco com a mais velha no corredor, ponho a roupa a lavar, dou de comer ao piriquito e mudo a areia da gata, despeço-me do miúdo que também vai sair para a escola. Entro no quarto deles. Fico sem fala, camas por fazer, roupas espalhadas por todo o lado, o computador ligado. Tocam à campainha.
   __ Paie! Tens um euro? __ Procuro nos bolsos. Dou-lhe dois. Digo que quero o troco, embora saiba que nunca o vou ver. Tento colocar-lhe remorsos por ter deixado o quarto todo desarrumado, mas já vai no fundo das escadas. Faço as camas. Despeço-me da outra. Deixou a cozinha de patas para o ar. Lavo os copos, limpo o fogão, arrumo a loiça. Passo a esfregona no chão. Já está bom. Apanho a roupa. Passo as camisas a ferro. Ia deixar as toalhas, mas vale mais fazê-lo agora. Vou para o computador. Há um trabalho para terminar. Ainda dá para fazer a matriz de um logotipo. Pelo menos a ideia já está criada. Atendo o telemóvel.
   __ Paizinho... ontem o fecho das minhas calças estragou-se. És capaz de o arranjar? __ Procuro as calças, descoso o fecho. Vou à capelista. Não têm do mesmo tamanho. Sigo para outra. Armo a máquina de costura. Alinhavo o fecho que dá mais luta que a que esperava. Lá consigo cozê-lo. O azul da linha não é bem igual, mas escapa. Respondo aos e-mails. Arrumo a máquina. Não me apetece fazer o almoço. Vou comprar um frango assado. Sempre tive que me agarrar aos tachos e panelas. Fazer sopa e arroz. Pôr a mesa. Chegam os filhos. Sou obrigado a assistir ao Doraemon, e a terminar a guerra com a do meio, que queria ver a MTV. Ainda mal acabámos de comer já estavam de saída novamente. Arrumar a mesa, colocar a louça na máquina, premir o botão, limpar o fogão, passar a esfregona no chão, ir ao banco, vá lá que foi rápido, terminar o logotipo que estava a fazer. Responder a mais dois e-mails. Escrever este artigo... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 17:30
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Domingo, 6 de Março de 2005

Bem feita (ou talvez não).

   Que paciência!...
   Se houver alguma coisa que realmente me surpreenda, devo estar preparado para ela. De resto, para quem já viu auto-intitulados «homens» a jogar futebol com uma cabeça humana, poucas coisas me poderão ainda surpreender.
   Também já fui criança. Naquele tempo diziam que os miúdos só se riam do mal. Riam-se quando alguém escorregava e caía, quando um carro chocava com outro, quando um colega tinha fracas notas. Aprendi o significado de «não te rias com o mal dos outros», às vezes com um nó no estomago.

   Não me surpreendeu o comentário ao artigo Saltos altos. encontrado aqui e que transcrevo:

Bem feita.......bem feita........rs Posted by: frases&pensamentos at março 6, 2005 12:32 AM


   Não me considero um pai coruja, que acha que os seus filhos são os melhores do mundo. Sei ver os defeitos deles, muitas vezes a razão de ser deste blog, mas também sei analisar as suas virtudes.
   Sobre esta filha, e embora o conceito de beleza seja muito subjectivo, sei dizer que é uma jovem na flor da idade, bonita, até demais. Que é alegre e que tinha sonhos, que foram abruptamente desfeitos. O uso de saltos altos será sempre o menor dos seus problemas. Talvez deixe de comprar um vestido de cerimónia para ir a uma festa e tenha de se vestir de um modo mais informal. Talvez no dia do seu casamento tenha de ir de ténis ou com sapatos rasos. Há quem o faça. Não ir para a Academia Militar, também não será o maior dos males. Pelo menos não deverá ver coisas a que eu me habituei a ver com mágoa e quantas vezes impotente. Correr, saltar, dançar, faz parte da vida humana, e principalmente dos jovens, quer tu o venhas a ser ou já tenhas sido. Foi isso que lhe foi cortado, e para sempre. A tua frase infantil, foi de muito mau gosto. O teu pensamento, no mínimo perverso. Acredito, no entanto que o não tenhas feito por mal, que não tenhas entendido o verdadeiro sentido do artigo. Quero acreditar nisso, porque hoje, depois de tudo o que passei e vi ao longo da minha vida, ainda acredito que as pessoas o merecem, só que às vezes têm ainda muito a aprender... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 23:59
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Sábado, 5 de Março de 2005

Saltos altos.

   Que paciência!...
   Se há coisa que não consigo entender, é como há pessoas que conseguem dizer que algo que fizeram está bem feito, quando todos estão a ver que não. Já na minha vida profissional isso aconteceu por várias vezes, seja com colegas ou subordinados, algo não funcionava, algo não estava bem, e raramente assumiam o erro, mesmo quando este se apresentava flagrantemente.


   Hoje levei a minha filha mais velha ao Hospital Garcia de Orta. Porquê? Recuemos no tempo. Uns anos atrás.
   A ambição dela sempre foi o desporto. Desde cedo me acompanhou em provas e passeios de BTT, e pela escola participou em diversas provas de atletismo. Fazia coreografias de dança para miúdos em vários colégios. Participava noutras. Queria tirar o curso na Faculdade de Motricidade Humana, ou seguir uma carreira no exército, começando a cimentar desde cedo essa opção, preparando-se para fazer os testes físicos de admissão à Academia. O momento alto dela, e último foi em 2000 ao ficar classificada em 1º lugar na Milha Urbana do Seixal. Queixou-se de dores num dos pés. Nas consultas que se seguiram, verificou-se que as mesmas eram devidas a algo muito comum, e que se costuma chamar de pé-chato. O pé não assentava completamente no solo, daí as dores. Daí também o facto de entortar qualquer tipo de sapato de salto alto. A única solução era ser operada, um pequeno enxerto de osso, com um periodo de recuperação de seis meses, resolveria a situação. Faltavam dez meses para as provas de admissão, o tempo de acabar o 12º Ano. Pesaram-se os prós e os contras. Não havia contra-indicações, a operação seria uma coisa simples, e a convalescença rápida. Faltaria no máximo uma semana às aulas. Em poucos meses deixaria as muletas. Foi operada, e a vida dela mudou radicalmente. Sem haver complicações, para uma operação que foi um sucesso, demorou mais do que era esperado até poder começar a andar. Em casa, vivia sendo transportada ao colo. Na escola também. Assim que conseguiu começar a andar, verificou-se que as muletas começaram a fazer parte da vida dela por muito tempo, mais do que esperado. Acabou o ano com boas notas, mas sem poder concorrer à Academia, que era o seu sonho. Não podia fazer as provas de muletas. Entrou para a Universidade Nova, enquanto aguardaria nova oportunidade no ano seguinte, que nunca chegou. Nunca mais correu, nunca mais dançou.
   Hoje, a médica olha para ela e diz que está tudo bem. A operação foi bem feita e foi um sucesso. Conseguiu o que queria, que era imobilizar o pé, como se este fosse uma prótese. Sem movimento, sem elasticidade, sem rodar ou dobrar, com o único objectivo de lhe tirar as dores provocadas por uma má postura natural. Agora as dores continuam, só que devidas a uma má postura originada por um pé que não se mexe. Mas pode-se resolver também, com mais outra operação, com infiltrações, quem sabe, mas não há garantias de nada, só certezas desencorajantes. Ela nunca mais vai correr, saltar ou dançar, nem usar um simples par de sapatos de salto alto... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 12:54
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