Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2005

Era às duas horas!

   Que paciência!...
   Se um qualquer serviço de saúde marca uma consulta ou tratamento para determinado dia a determinada hora, essa marcação devia realmente ser respeitada. De que adianta dizer para chegar às duas da tarde, se depois nem sequer se sabe se o atendimento é por ordem de chegada, ou qualquer outro critério mais ou menos obscuro.


   Já era sabido. A minha Mãe ficou de cama e agora quem tem de andar de um lado para o outro? Só podia ser eu.
   Toca o telefone.
   __ Tá? Zé Victor? A Mamã está doente. Não podes cá vir? __ Esta é a forma abreviada. A completa incluía os sintomas, os efeitos, as causas e acabava da mesma forma, tinha de ir lá.
   __ Então, mas ela não está a tomar os medicamentos? Ainda ontem foi ao médico. __ Esta também é a forma abreviada. A completa, inclui uma série de «Sim... sim... pois...humm... pois...», para acabar de uma forma também já velha conhecida.
   __ Mas é melhor cá vires, percebes? É para dar mais, tu entendes, sabes como é. __ Resultado, já estou na calha de desembarque, independentemente do que tenha ou não para fazer. Já estou a caminho.
   Chegado a casa dos meus Pais, deparo com tudo às escuras, portas e janelas fechadas, estores baixos. A luz faz-lhe mal, o ar também. Ainda não almoçaram. Vamos lá comprar comida a um lado qualquer. A minha Mãe reclama. Não quer comer nada, não lhe apetece nada. Mesmo assim lá vamos nós os dois a um restaurante ali perto que vende comida para fora. Comprei também umas peras, que cozi. Para quem não queria nada até comeu bem, só não quis sopa, mas desforrou-se com três peras cozidas.
   __ Podias ir comigo ao tratamento É às duas horas. Tenho que lhes dizer que não vou. __ Às vezes o meu Pai tem destas coisas. Ir lá dizer que não vai? Para isso há o telefone, o telemóvel. Não. Tem de ser pessoalmente. Lá vamos nós ao Instituto, que não há nada que o demova. Procura-se o médico de serviço e o técnico.
   __ Vinha cá dizer que hoje não venho ao tratamento. __ Já estava à espera. Então porquê? Agora que já cá está! Só demora cinco minutos.
   Fomos para a sala de espera. Chamaram-no às sete... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 21:06
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Domingo, 30 de Janeiro de 2005

Amigo não empata amigo!

   Que paciência!...
   Se há uma frase que a minha Avó dizia e de que gosto muito é esta: «Amigo não empata amigo!» Pena que nem sempre seja aplicada, mesmo por aqueles que nos são mais queridos.


   Ainda o meu Pai anda a tomar os medicamentos para a gripe dele e já a minha Mãe vai a caminho. À hora de almoço, já se nota que não está muito bem. Queixa-se de que tem o corpo moído e já dá umas fungadelas. Conheço os sintomas. Já vai ter para quinze dias no mínimo. Acho melhor levá-la ao médico.
   __ Pra quê? Eu estou bem. Não é preciso. __ Insisto. Teimosa como sempre. Não, não e não. Só me resta uma saída. Finjo-me desinteressado. Começa o meu Pai.
   __ Se calhar era melhor ires. Vê lá!
   __ Talvez. Realmente não me estou a sentir muito bem. __ Responde.
   __ Se o Zé Victor te levasse lá abaixo, àquele posto médico, eles lá são muito atenciosos...
   Fico admirado como é que alguém pode achar o atendimento nos SAP muito atencioso, mas enfim, já são eles que me estão a pedir, quer dizer, mais ou menos.
   __ Então, sempre querem que eu vos leve ao médico?
   __ Não quero incomodar, tu tens a tua vida...
   Por acaso estou agarrado a uns orçamentos que tenho de apresentar. Combino levá-los aos SAP no Seixal e deixá-los lá. Quando estiverem despachados telefonam-me (maravilha, os telemóveis) e eu vou buscá-los. Concordam comigo.
   __Então não vens connosco? É só um bocadinho. Não conhecemos nada disto aqui. __ Já estão a fugir ao combinado. O parque está cheio, tentemos arranjar lugar para estacionar.
   A fila para inscrição parece não acabar mais. A sala de espera está lotada. Abriram outra, que normalmente não está acessível. Quantas pessoas estarão aqui? Mais de cinquenta?
   __ Pode aguardar na sala. Quanto tempo? Isto hoje está um pandemónio. Os médicos estão com duas horas e meia de atraso. Não sei. Hoje está muito demorado.
   Tento despachar-me e ir embora. Não fico ali a fazer nada e não sou preciso também para nada.
   __É melhor ficares aqui connosco. Podemos não ouvir chamar...É preciso paciência.
publicado por vkthor às 23:52
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Sábado, 29 de Janeiro de 2005

Pré-pagamento! Quando?

   Que paciência!...
   Se nos dias de hoje se fizeram tantas regras, é pressuposto estas servirem para nos facilitar a vida, organizando-a, mas parece que nem todas as pessoas pensam assim, ou as aplicam da mesma maneira.


   Mais um dia cheio de peripécias está para acabar. Os meus Pais vieram passar o dia connosco. É hora de os levar a casa, em Lisboa. O depósito do carro está a chegar ao vermelho. Parece o meu multibanco.
   Fui meter gasolina. Como sempre procuro o lugar onde está mais barata, e neste caso, a que estava mais em caminho era a bomba da Avia no Fogueteiro. Ainda não eram dez horas. Sei que a partir das dez, o fornecimento entra em pré-pagamento, embora nem sempre isso aconteça. Faço a pré-marcação e ouço a voz de boas-vindas:
   __ Gasolina sem chumbo, 95. Pode abastecer.
   Pode? Nada, nem uma gota. Olho para as duas operadoras que via a conversar através do vidro. Lá dentro a campainha devia estar a tocar, mas elas nem se dignavam olhar. Ninguém mais na bomba. Elas continuam sem olhar sequer. Vou até lá e bato ao vidro. Fazem-me sinal para dar a volta e entrar pela porta. Que remédio. Lá vou eu. Quando chego ao balcão pergunto se a bomba está avariada, que não abastece, mesmo depois de ter feito a pré-marcação. Resposta:
   __ É pré-pagamento. __ E mais nada. Nem um sorriso, ou até um simples olhar. Mas ainda não são dez. Faltam cinco minutos. Tento ripostar. Não há um aviso nas bombas, na caixa, um cartaz que seja, mesmo feito à mão.
   __ Já é noite. Explicação dada. Fiquei a saber que nas bombas da Avia, pelo menos no Fogueteiro, retrocedemos no tempo e os relógios deixaram de o controlar. Voltámos a ser comandados pelo Sol. Dia e noite. Basta escurecer, para se entrar em pré-pagamento. Agora depende da operadora de serviço e do seu critério. Noite? Será logo após o pôr-do-sol? Ou será apenas quando já não se vê nada. impossível! Há luz eléctrica, de modo que se vê sempre pelo menos qualquer coisa. E se for uma noite de luar? O pré-pagamento entra em vigor mais tarde, ou não entra sequer em funcionamento? E em dias enublados? Será antecipado? O melhor é passar a funcionar sempre nesses moldes, pelo menos o cliente sabe que tem de se dirigir primeiro à caixa para pagar, e só depois abastece o carro. Pelo menos deixa de estar dependente da pouca boa vontade de duas operadoras mal dispostas, além de nunca poder atestar o depósito do carro, porque não sabe quanto vai levar, e de certeza não lhe apetece voltar à caixa para receber um troco de um pré pagamento, ou pedir mais meia dúzia de litros de combustível.
   Deixei a carteira no carro. Também podia tê-la trazido logo comigo. Volto ao carro, mas decido só abastecer cinco euros. É quanto preciso para ir a Lisboa. Só me faltava isto para terminar bem o dia... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 23:59
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Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2005

Ajudantes para jantar.

   Que paciência!...
   Se não quisermos fazer uma coisa qualquer, vale mais dizê-lo logo do que andar a fazê-la com maus modos.
   Tentei habituar os meus miúdos a isso, a ajudar, a partilhar as tarefas familiares e a serem prestáveis, se possível sempre com um sorriso, mas nem sempre consigo isso.


   Estou atulhado de trabalho até ao pescoço, se calhar até mais. Chegou a hora de jantar e com ela, tudo regressou a casa. Eu e a minha mulher, que já cá estávamos, os meus Pais, que fui buscar a Lisboa, para não terem de se andar a preocupar com as refeições, uma vez que o meu Pai até está doente e o tempo não apresenta melhoras, o meu filho, que veio de casa de um colega, onde foi passar a tarde a jogar no computador e game boys, a minha filha do meio, que regressou muito cansada do Fórum Almada, onde andou com as colegas a experimentar roupas em todas as lojas, a minha mais velha, que veio do trabalho e o namorado que a lá foi buscar. Bonito. Tudo muito cansado, mas com fome e sem jantar. Bom, atiremo-nos a isso. Aliás já estou habituado. Talvez encontre ajudantes hoje, quem sabe, tanta gente...
   __ Liga lá a televisão na quatro, que está na hora do Telejornal. __ Claro, não se pode perder nem pitada do que vai pelo mundo ou mesmo por cá. Admira é que depois se venha queixar que à noite, a minha Mãe lê um jornal de ponta a ponta, coluna por coluna, página por página. Por falar nela:
   __ Até ia ajudar, mas não conheço os cantos à casa. __ Pois. A casa até é grande, e então a cozinha, é enorme. Sandra?
   __ Oh Paieee! Deixa-me só combinar uma coisa com as minhas amigas e lá vai para o MSN. O Mário fugiu para o portátil, onde anda às voltas com o Velocidade Furiosa não-sei-quantos. A minha mulher...
   __ Hoje vais ter de ser tu a fazer o jantar. Não me consigo nem levantar. __ Pois. Também não é novidade. Quem falta? O miúdo, que deve estar a ver o Mário às voltinhas numa Los Angeles virtual. Se um dia lá for, de certeza que não se vai perder. Já a deve saber de cor. Ahaaaaah! A minha Sofia. Pode ser que ela venha.
   __ Sofiiaaaaaa! __ É mais fácil assim, ou pelo telemóvel. Lá apareceu e trouxe reforços, os irmãos. Que bom.
   Acho que não devia ter dito nada. Andam os três mais que mal dispostos a pôr a mesa. Um leva dois pratos, outro só as colheres, e andam de cá para lá. Não aguentei. Reclamo com tudo e com todos, vem o meu Pai e diz-me para ter calma, vem a minha Mãe e diz que não me devo enervar, vem a minha mulher e diz que vai ela fazer o jantar... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 22:57
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Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2005

Comprimidos, pílulas e drageias.

   Que paciência!...
   Se queremos uma coisa, devemos fazer por ela, e não esperar que se resolva com o tempo. Infelizmente, somos como um carro velho, quanto mais andamos, mais nos estragamos, e não há nada a fazer para que se volte a ter aquele aspecto reluzente, tipo acabado de sair do stand.


   Jantar em família depois de ter levado o meu Pai ao Hospital Garcia de Orta com uma tremenda gripe. À mesa, ultimam-se os preparativos. Talheres, pratos, guardanapos, coisinhas amarelas, vermelhas, brancas... coisinhas? Sim, a reunião familiar de hoje, parece mais uma convenção de farmacêuticos. Havia para todos os gostos e formatos, além das já citadas cores. Uns em formato de cápsula, outros revestidos, uns divididos em quatro, outros apenas em dois, a maioria, sem divisão nenhuma.
Divididos estavam eles, em três montinhos, um para a minha mulher, outro para o meu Pai e outro para a minha Mãe. Ela ainda pensava se havia ou não de tomar aquele que era para o cérebro. Devias era tomar esta vitamina que tenho aqui, dizia o meu Pai. O que ele foi dizer. Ele que tomasse os seus comprimidos e deixasse os dela. E contou a última que ele fez.
   Há dias foi ao médico, porque estava com um princípio de gripe. Já não devia ir tanto no princípio, porque a médica lhe receitou antibiótico. Depois de sair do consultório às não sei quantas da noite, percorreu ainda metade de Lisboa com a minha Mãe atrás para encontrar uma farmácia aberta, de serviço. Mania que tem de que tudo funciona à maneira dele, e que a farmácia ao pé de casa tinha de estar aberta, porque não havia mais nenhuma perto. Resultado, chegou lá, estava fechada e lá tiveram que ir sei lá onde. Chegados a casa, foi ler o papel que vinha com o medicamento. Às vezes não se deviam ler essas coisas. Dizia que não se devia tomar aquele medicamento por periodos prolongados. Tinha tomado um antibiótico em Outubro. Arruma no armário que já não se toma! E depois queria melhorar a olhar para a caixa do medicamento.
   Eu até acho incrivel como conseguem distinguir para que servem tantos comprimidos e drageias. Olha, aquele ali é giro. Meio verde garrafa, meio branco. O outro é azul escuro com uma parte transparente que deixa ver um conteúdo às bolinhas azuis, vermelhas e brancas. É para quê? Para a asma, responde o meu Pai. Está bem, Há anos que sofre de asma. E aquele amarelo ali? É para a próstata. Pronto. Arrumou comigo. A minha mãe tinha um igual! Ah! Mas este é para as dores. Pareciam mesmo iguais, e ali, um ao lado do outro, vocês nunca se enganaram a tomar esses comprimidos? Pois, claro que não, que pergunta a minha. Continuando a ronda. Aquele ali é para o fígado, mas como faz mal ao estomago, está ali um vermelhinho para compensar, só que... dá-lhe palpitações. Tudo bem. Aquele pequenino branco repõe tudo no lugar, mas faz-lhe falta de ar. Para isso está ali aquele outro que... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 23:06
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Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2005

Para quem não queria tomar banho

   Que paciência!...
   Se temos só um mundo e temos de viver nele, é bom que o façamos um lugar melhor para todos.
   Preocupo-me com questões como o ambiente, reciclagem, poupança de recursos e energia. Tento que os miúdos façam o mesmo, mas nem sempre sou bem sucedido.


   A confusão do costume todas as manhãs, mas hoje o miúdo estava por demais. Andava feito uma barata tonta pela casa, enquanto reclamava consigo próprio por causa de tomar banho e estar atrasado para a escola. Farto de o ouvir mandei-o vestir-se que tomava banho quando voltasse da escola... e que se despachasse, porque eu não lhe justificaria a falta se ele chegasse atrasado.
   __ Mas Pai!... Eu tenho de tomar banho... __ Tentou ripostar, mas foi cortado por um «Já!» que não admitia réplicas. Apetecia-lhe faltar à primeira aula, está visto.
   Meio dia. Regressou da escola. Enquanto fazia o almoço nem lhe prestei muita atenção, até que o ruído dos bip-bip-tzzzzzzzoing me lembraram que havia qualquer coisa que não estava a correr bem. Então não é que ele estava agarrado à consola de jogos? E o banho que tanta controvérsia tinha gerado de manhã?
   __ Ahnn! Agora não me apetece. __ Quê? Parece que não está a perceber. O Gastão é só nas histórias da Mónica e do Cebolinha. Meio-dia e um quarto. Para o banho imediatamente.
   __ Mas tenho de passar este nível... __ Não!
   __ Só gravar o jogo... __ Não!
   __ Eu tomo banho logo... __ Diz quase a chorar, enquanto ainda salta um obstáculo, foge de uma aranha gigante e dispara contra um morcego. Será possível? Temos um porquinho em casa. Cedência. Não passas o nível, gravas o jogo e vais tomar banho. Contrariado, lá foi, ainda de lágrimas nos olhos. Está frio, diz, fazendo-me sorrir com o desgosto dele. Volto para a cozinha.
   Uma hora. Mesa posta. Almoço pronto. Falta o Rafael. Tanto tempo para tomar banho? Vamos lá a ver...
   __ Caramba, Rafael! Estás na sauna? __ Mal se vê um palmo à frente do nariz. Ouço-o chapinhar dentro de água. O chuveiro a correr e a banheira quase a transbordar. Desperdício de água, energia, tempo. __ Vê lá se te despachas. Nós já vamos almoçando.
   Respondeu-me que ia já. Almoçámos. Estava a tomar o café quando apareceu o D. Sebastião vindo da batalha de Alcácer-Quibir das águas quentes. São quase duas da tarde. Para quem não queria tomar banho... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 16:00
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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2005

Lamechices, dizem eles.

   Que paciência!...
   Se nos preocupamos, são lamechices, se não queremos saber, somos insensíveis. Às vezes olhamos as coisas à nossa volta e classificamo-las consoante os nossos interesses próprios, sem pensar que também podemos precisar, ou ser os próximos.


   Estávamo-nos a preparar para o jantar. Os miúdos lá iam ajudando conforme podiam ou melhor, queriam. Um trazia os pratos, outro distribuía-os. Eu dava uns últimos toques no computador. Ouço risos.
   __ Outra vez?... __ diz a minha filha com a panela de sopa nas mãos.
   __ Paiiii! A Mãe mergulhou! __ Seja como for não gosto de os ver brincar com esta situação, embora, confesso, já nos tenhamos habituado a ela, de tão rotineira. Hoje está mais difícil de se levantar, chegando mesmo a revirar os olhos. Encosto a cabeça dela ao meu peito, à espera que ganhe alguma rigidez, prova de que já estava de novo a controlar o corpo. Também pouco mais posso fazer, pois o seu peso já é muito. Parece um bébé, a aumentar 200g por dia. Dou por mim a fazer-lhe festas na cabeça e a repreender os miúdos pela falta de sensibilidade. Recolhi risos em troca.
   __ Daahhhh! Lamechices. __ E sairam da sala a rir.
   Lá acabámos por jantar. O namorado da minha flha está doente, apanhou uma dessas gripes que entopem os hospitais. Chamámos o médico. Há-de vir, hoje têm muitas chamadas. O tempo passa e nada de médico. A minha mulher aparece de fininho.
   __ Tens muito que fazer? __ Garanto que qualquer dia ponho um relógio de xadrez aqui ao pé de mim para contar o tempo que realmente consigo trabalhar, com todas as interrupções que eles me fazem. __ Podias levar o Mário a casa. Ele está tão doente... __ Pronto. Decididamente os orçamentos vão ter que esperar... Lembro-me do tempo em que a namorei. Nunca pedi nada ao pai dela, nunca o incomodei. Dias diferentes, épocas diferentes. Miúdos. E depois curtem Eminem!
   Lá fui levar o Mário. Ao chegar a casa, tenho a mais velha à minha espera com uma disquete na mão.
   __ Paizinho... __ Pois. Já estou a ver o filme. __ Ajudas-me a imprimir este trabalho para a faculdade? __ Lembro-me dos exames que ela tem passado e das suas boas notas. Finjo que não estou nem para aí, mas é claro que a vou ajudar. Começo logo com uma reprimenda. Gravou o trabalho em disquete para quê? Não é mais fácil ir buscá-lo pela vizinhança na rede? Não sabe fazer nada disso, responde ela. Bons tempos os meus da faculdade, em que tínhamos de perfurar cartões, depois de pedir não sei quantas autorizações para usar o computador da universidade. Formato o texto, verifico margens, recupero as tabelas, antes de imprimir. Falta a capa. Toca a puxar o programa de desenho, procurar imagens na minha base de dados, Elaborar a página e, também é precisa uma capa igual para o CD. Igual como?! Uma é em A4, a outra é quadrada! Com alguns retoques consigo fazer um bom trabalho. Passa das duas da manhã. Levanto-me às seis. Lamechices... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 23:57
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Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2005

E não se lembrava.

   Que paciência!...
   Se um gesto mal medido ou resposta mal interpretada pode originar uma grande confusão entre duas pessoas, o melhor mesmo é tentar restabelecer a harmonia, enquanto o incidente não atinge dimensões insuportáveis. Só que para isso, muitas vezes temos de engolir o sapo vivo. Às vezes vale a pena.


   Ainda não são oito da manhã e já tenho motivos para escrever. Levantei-me como de costume. A minha mulher nem se mexeu. Veio depois ter comigo quando eu saía do banho. Ainda está amuada, ou lá o que se pode chama a isso. Nem me deu palavra. Acabei por me ir vestir sozinho para o quarto.
   Estou a fazer o café. Já tenho a mesa posta quando ela chega. Continua calada. Aqueço um copo de leite no micro-ondas e deito-lhe o café que entretanto já subira na cafeteira.
   __ Só fizeste para ti? Ainda estás zangado comigo? __ Até parece que o aborrecimento de uma pessoa passa só porque o tempo faz o mesmo. Já houve uma altura em que realmente as nossas zangas não duravam quinze minutos. Depois começaram a durar só até à noite. Aí não havia aborrecimento que perdurasse até à manhã seguinte. Agora...
   __ Ontem fizeste-me o mesmo. Vês como também não gostas?
   __ Ontem? Não precisas de ser assim, então ontem não te fiz o galão? Até o levei para a mesa! __ Tento manter a calma. Aliás preciso de muita, mesmo.
   __ Lembra-te que aqueceste o leite só para ti. Depois até ficaste admirada quando me viste deitar o leite no café. Levaste-o para a mesa, mas não o aqueceste. Eu até bebi o galão frio. __ Lembrou-se. Não tinha sido por mal, julgava que eu já o tivesse feito para mim, como ontem, só que ontem as condições eram diferentes. Durante o pequeno-almoço não disse uma palavra. Quando me ia levantar, perguntou se hoje ia para Lisboa, a minha vontade foi perguntar-lhe o que tinha a ver com isso, mas contive-me. Talvez fosse apenas uma forma de estabelecer um contacto. Não sei e dou-lhe o benefício da dúvida.
   Encontro-a caída em cima da cama. Mal se consegue levantar. Por duas vezes se atira para trás, afastando-se do meu abraço. Parece um ataque epilético, mas não é, nem pela duração, nem pela forma. Volto a agarrá-la, e encosto-a a mim, mesmo estando sentada na beira da cama. Passado um pouco tento levantá-la de novo. Oscila mais uma vez, mas aguenta-se. Retribui-me o abraço, num gesto que não é só para se agarrar. Pelo menos eu quero pensar assim. Pode ser que consiga restabelecer a ligação perdida... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 11:08
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Domingo, 23 de Janeiro de 2005

Foi o burro que desistiu.

   Que paciência!...
   Se um gesto mal medido ou resposta mal interpretada pode originar uma grande confusão entre duas pessoas, o melhor mesmo é tentar restabelecer a harmonia, enquanto o incidente não atinge dimensões insuportáveis. Só que para isso, muitas vezes temos de engolir o sapo vivo. Às vezes vale a pena.


   Ainda não são oito da manhã e já tenho motivos para escrever. Levantei-me como de costume. A minha mulher nem se mexeu. Veio depois ter comigo quando eu saía do banho. Ainda está amuada, ou lá o que se pode chamar a isso. Nem me deu palavra. Acabei por me ir vestir sozinho para o quarto.
   Estou a fazer o café. Já tenho a mesa posta quando ela chega. Continua calada. Aqueço um copo de leite no micro-ondas e deito-lhe o café que entretanto já subira na cafeteira.
   __ Só fizeste para ti? Ainda estás zangado comigo? __ Até parece que o aborrecimento de uma pessoa passa só porque o tempo faz o mesmo. Já houve uma altura em que realmente as nossas zangas não duravam quinze minutos. Depois começaram a durar só até à noite. Aí não havia aborrecimento que perdurasse até à manhã seguinte. Agora...
   __ Ontem fizeste-me o mesmo. Vês como também não gostas?
   __ Ontem? Não precisas de ser assim, então ontem não te fiz o galão? Até o levei para a mesa! __ Tento manter a calma. Aliás preciso de muita, mesmo.
   __ Lembra-te que aqueceste o leite só para ti. Depois até ficaste admirada quando me viste deitar o leite no café. Levaste-o para a mesa, mas não o aqueceste. Eu até bebi o galão frio. __ Lembrou-se. Não tinha sido por mal, julgava que eu já o tivesse feito para mim, como, se não foi ontem, foi anteontem só que as condições eram diferentes. Ela tinha voltado para a cama e tomei o pequeno-almoço com a minha filha. Durante o pequeno-almoço não disse uma palavra. Quando me ia levantar, perguntou se hoje ia para Lisboa, a minha vontade foi perguntar-lhe o que tinha a ver com isso, mas contive-me. Talvez fosse apenas uma forma de estabelecer um contacto. Não sei e dou-lhe o benefício da dúvida.
   Encontro-a caída em cima da cama. Mal se consegue levantar. Por duas vezes se atira para trás, afastando-se do meu abraço. Parece um ataque epilético, mas não é, nem pela duração, nem pela forma. Volto a agarrá-la, e encosto-a a mim, mesmo estando sentada na beira da cama. Passado um pouco tento levantá-la de novo. Oscila mais uma vez, mas aguenta-se. Retribui-me o abraço, num gesto que não é só para se agarrar. Pelo menos eu quero pensar assim. Pode ser que consiga restabelecer a ligação perdida... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 20:49
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Sábado, 22 de Janeiro de 2005

O tempo não volta atrás.

   Que paciência!...
   Se o tempo pudesse de alguma forma voltar atrás. Penso que às vezes devíamos ter sido criados com um botão de reset nas nossas vidas. Enquanto isso não acontece, tem de se fazer o possível por reconquistar o um pouco de tempo, sermos nós a pensar e a agir como já o fizemos em tempos. Afinal, não duramos para sempre. Tentemos ganhar essa batalha.


   Embora sábado, preparei-me como de costume, para ir trabalhar. Ao voltar ao quarto encontro a minha mulher caída no chão ao lado da cama. Tentou-se levantar sozinha e não conseguiu. Continuo aborrecido com ela, mas custa-me vê-la assim. Tento levantá-la, mas apenas consigo sentá-la no chão, a cabeça encostada às minhas pernas. Não se fixa, o corpo mole ameaçando cair se a largar. Estou nu, e por momentos lembro-me de posições semelhantes, mas numa actitude totalmente diferente. Começo a ficar excitado, mas não posso nem pensar nisso. Aos poucos começa a reagir até que se consegue levantar. De certeza que não reparou, ou então fez de conta. Também tenho de me ir embora.
   A minha filha mais velha já se está a levantar preparando-se para também ir trabalhar. Dou-lhe boleia até ao comboio, pois não quer ir comigo. Vai esperar pelo namorado.
   Regresso à noite. A porta do quarto está fechada. Nem vale a pena abri-la para saber que estão também as janelas fechadas e os estores baixos. Cumprimento os miúdos, que estão com uma cara estranha, aliás que também se está a tornar habitual. A minha filha do meio queixa-se de dores de cabeça.
   __ Comeste?... __ pergunto-lhe. Fizeram um ovo estrelado para cada um, que comeram com arroz. São quase seis da tarde. Preparo-lhes um lanche, flocos, que é o mais rápido e vou tratar do jantar não tarda nada. Também estou enervado. Acabo com duas garrafas de Água das Pedras em menos de nada e peço-lhes para me irem comprar mais. Qualquer dia arranjo uma úlcera, se é que já a não tenho. Bem podia arranjar algo melhor, mesmo. No computador a playlist avançou e estou a ouvir o Hotel California, dos Eagles. Esta música marcou-me na minha juventude. A minha mulher apareceu, quebrando o encanto.
   __ Então?! Já chegaste? Nem me foste ver à cama!...
   Não estava nem com vontade de me aborrecer. Peço-lhe para me deixar acabar o trabalho, enviar uns e-mails que estão em atraso. Passado um bocado apareceu de novo.
   __ Apertas-me os sapatos, que eu não consigo? Não estejas zangado comigo! Não te faço mal nenhum.
   Não estou zangado. Se calhar nem aborrecido. Lamento esta situação que se foi criando entre os dois. Espero que um dia a vontade dela desponte. Lembro-me de tempos decorridos há 20 anos atrás, em que me ajudava, chegando a conseguir que desse aulas de Cobol sem nunca ter visto uma compilação e os alunos dela chegaram a ter melhores notas nos exames que os meus. Dúvidas, tirava-lhas muitas vezes num intervalo para o café. Pelo menos vai fazer o jantar... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 21:41
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