Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2005

Limpeza pré-histórica

   Que paciência!...
   Se cada dia que passa formos acabando um pouco do que ficou para trás, e não deixarmos atrasar mais do que já está, há-de chegar a altura em que tudo fica em dia.


   Afinal a reunião programada com o arquitecto já não é em Lisboa. Vou dar uma voltinha até aos lados de Sintra. Pelo menos aprecio a paisagem, sempre que a oportunidade o permite. Como de costume um dos sócios do Boot vai chegar atrasado. Começamos a falar com um dos comerciais dos equipamentos. Tem de se orçamentar todo o tipo de maquinaria, balcões frigoríficos, fornos, bancadas. O que parecia durar pouco, demorou para lá das três da tarde. Valeu o almoço num restaurante vazio para recompor. Durante o resto da tarde continuam-se a discutir assuntos diversos. Agora discutimos o sistema de ventilação e ar condicionado com um dos candidatos à obra. Demora-se. Às duas por três já não há avanços nem recuos, por outras palavras, já não se está ali a fazer nada, mas parece que ninguém quer ir embora. Reunião detestável, tipo pescadinha de rabo na boca. Chego a casa tardíssimo. Ops! Devia ter chegado mais tarde ainda. Do jantar, nem rasto. Já sei o que isso quer dizer. Mulher na cama, filhos a olharem para mim. O «Super-Pai» vai ter de salvar a situação. Chega mais um para jantar. Onde comem cinco, comem seis. Vamos a isto.
   Bocados de frango para a panela, a cozer. Já vai dar sopa. Tacho com água ao lume. Basta ferver e colocar esparguete. Ao lado, cebola, alho, natas, condimentos qb. Quando o frango estiver cozido, tudo lá para dentro. A disposição vai diminuindo à medida que o tempo passa e o jantar não melhora nada.
   Olho a cozinha. Metade das coisas não cabe na máquina, que ainda tem a loiça do almoço. Antigamente, também se lavava a loiça à mão. Ainda me devo lembrar disso. Tenho que normalizar as coisas aqui em casa, resmungo comigo próprio. Fico até admirado como consigo coordenar tipos de barba rija nas obras e cá em casa não consigo nem que os miúdos arrumem as coisas deles. Aproveito eu para arrumar as bancadas e dar uma esfrega no fogão. Caramba, aquilo está mesmo mal. Será que devo ver por trás? Lembro-me de uns desenhos animados em que a Cinderela pergunta a um passarinho:
   __ É preciso limpar onde não se vê? __ consegui envergonhar-me a mim próprio. Arrasto o fogão para o lado, e eu... quase caio para o lado, também. De repente transformo-me em arqueólogo, tentando descobrir uns azulejos pré-históricos por baixo de camadas de estratos (desculpem a repetição, mas estratos e camadas é a mesma coisa) das mais diversas cores. Pareceu-me ouvir alguém dizer:
   __ Pai, deixa estar que nós fazemos isso! __ mas devia estar a sonhar... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 23:42
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Março 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30
31


.posts recentes

. Filho pródigo...

. Telefonema a meio da noit...

. ops

. Iconomaker 3.0

. Está a andar...

. Outra resolução

. Aguentei a segunda...

. Falhou logo à primeira...

. Foi há quase um ano...

. Quase... quase...

.arquivos

. Março 2007

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Maio 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

blogs SAPO

.subscrever feeds