Domingo, 16 de Janeiro de 2005

Direitos iguais

   Que paciência!...
   Se há Deus para uns e o Diabo para outros, se há dois pesos e duas medidas, se há filhos e enteados, eu sou único de certeza.
   Ontem a minha mulher disse que o melhor lugar para o avô era num lar da Santa Casa da Misericórdia, uma vez que a mãe (dela, e minha sogra) era ainda uma mulher nova para ficar ali a tomar conta do pai (dela, a minha sogra, avô da minha mulher).


   O dia até parecia que ia começar bem. Já estava acordado quando o despertador tocou. É fim-de-semana. Tento uma conversa com a minha mulher, antes de a ajudar a levantar-se para irmos tomar banho juntos. Temos de nos despachar para depois levar a minha filha ao comboio para ir trabalhar. Ajudá-la a levantar-se, uma rotina que até já começa a ter aspectos divertidos, provenientes da habituação. É incrível, como nos adaptamos a tudo.
   Estamos a vestir-nos, ela à espera que eu a calce, quando me lembro do que disse ontem, da mãe sobre o avô. Ao vê-la ali sentada a olhar para mim, e ao lembrar-me do que já lhe fiz hoje, não pude conter um riso abafado, que logo desencadeou o que iria tornar-se a nossa tempestade matinal. Para variar.
   __ Estás-te a rir de quê? __ Perguntou-me, olhando para o meu ar divertido. Ainda bem que eu estava bem disposto, e como não sou pessoa de rodeios, falei-lhe do que ela tinha comentado ontem e da comparação com a nossa vida. Estava neste momento a calçar-lhe os sapatos. Devia ter ficado calado. Nunca mais aprendo.
   Que ela nunca me tinha pedido para a ajudar, que não era a mesma coisa, que ela fazia mais que o avô...
   Pois. Uma filha não pode tomar conta de um pai que muito tem feito por ela, porque é uma mulher nova, tem de sair, tem a vida dela, e ainda por cima tem dinheiro suficiente para uma vida desafogada, herança de um marido que tudo fez por ela e para a deixar bem. E eu? Qual a diferença? Fico relegado para o lugar de marido que disse um «Sim» na igreja, «para o bem e para o mal» que sou bem mais novo, e que ainda por cima tenho de lutar pela vida para pagar a renda da casa, água, luz, gás, comida, médicos, exames, medicamentos, etc... Não há dia que ela não me diga que tem de ir ao hospital, ao médico, aos exames, que eu não arranje maneira de parar a minha vida e ajudá-la no que precisa, tantas vezes com o melhor remédio de todos, a compreensão. Só esperava e desejava que esse esforço fosse reconhecido. Acabei a lavar a loiça do pequeno-almoço sozinho, enquanto ela estava sentada à mesa a olhar para o dia de ontem. Como vai sendo hábito... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 09:58
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1 comentário:
De paula a 16 de Janeiro de 2005 às 10:09
Infelizmente o k no mata sem nos apercerbermos é o hábito! Tornamos-nos mákinas da vida! Não deixes k isso te aconteca! A vida é curta e só temos esta k tem de ser a nossa! Sê feliz
Jocas


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