Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2005

Os relatórios esquecidos

   Que paciência!...
   Se as pessoas ao menos se preocupassem em fazer o seu trabalho minimamente, de certeza que ele até era bem feito. Agora, no nosso país, parece que se pode fazer o que se quer... impunemente.
   De quem será a culpa? Das pessoas que trabalham e não estão motivadas? Das instituições? Nossas?


   Deixo o carro no Berna. O parque de estacionamento fica ao lado do escritório e o Metro é logo ali. Penso que nem vale a pena ir de carro só até às Telheiras, e não preciso de me preocupar com os parquímetros. Quando voltar pago o estacionamento. Meto-me no Metro e utilizo um bilhete pré-comprado que tinha na carteira dos documentos do carro. É a última viagem. Tenho de o guardar, ou então não saio. Chego às Telheiras e vou rua abaixo. Acho que é já ali, pelo menos foi a ideia com que fiquei de uma vez que lá fui (de carro). A rua parece não querer acabar. A dada altura desconfio que estarei perdido e pergunto onde fica a Gilamp. Lá em baixo, ao pé daquela farmácia. Puxa! Devia ter vindo de carro. É longe que se farta. Agora não há nada a fazer. Apronto-me antes de entrar para a reunião agendada. Faltam cinco minutos. Sou bom nisto, mesmo quando vou a pé.
   Cinco da tarde. Hora de regressar. Acho melhor apanhar um taxi para voltar. Meto a mão ao bolso do blusão e tenho um baque. Vim sem a carteira! Procuro nos bolsos. Um euro e vinte cêntimos. Será que dá para algum autocarro? Isto está a correr mal. Se vir um taxi vou nele até ao parque. Vai-me custar os olhos da cara, certamente. O dia já está a teminar mal.
   O trânsito está insuportável. Pudera, a esta hora! Toca o telemóvel.
   __ Estou, q'rido? __ É! Querido... Precisa que vá buscar os exames da miúda à Clinica. Não estava a contar com isso. Então e o talão? Tento esquivar-me. Não ia ser preciso. Eles procuram pelo nome.
   Parece que toda a gente tem radiografias e outras porcarias para levantar. Cinco pessoas à minha frente, e uma funcionária. Realmente o papel não devia ser preciso, ela percorre todos os envelopes que estão em cima da mesa, um por um. Que demora! Devia ser chegar, tirar o envelope, dar e passar à frente, mas não. Tento ver televisão. O concurso que está a passar não me prende a atenção. Tenho um monte de coisas para fazer e só estou a pensar nelas. Apetece-me ir embora e deixar aquilo para a próxima.
   Chega a minha vez. O papel com o número do processo? Não tenho. Nome? E lá vai para a pilha de processos. E vê uma vez, e outra, e torna ao princípio. Passado um bocado regrassa ao balcão. Só um bocadinho... e recebe o talão da velhota que estava atrás de mim. Alguém que estava às voltas com o computador veio-me perguntar se não tinha o número de processo. Claro que não, senão tinha-o dado logo. Ligo para casa e a funcionária escreve o número que eu dito enquanto o vou ouvindo. Volta ao computador. Volta à mesa dos envelopes. Vasculha tudo outra vez. O resto do pessoal vai saindo com as suas radiografios, ecografias, tacs... e eu, à espera. Voltou.
   __ Desculpe, mas a Doutora esqueceu-se de fazer o relatório. Volte na próxima Quarta-feira... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 20:43
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