Domingo, 23 de Janeiro de 2005

Foi o burro que desistiu.

   Que paciência!...
   Se um gesto mal medido ou resposta mal interpretada pode originar uma grande confusão entre duas pessoas, o melhor mesmo é tentar restabelecer a harmonia, enquanto o incidente não atinge dimensões insuportáveis. Só que para isso, muitas vezes temos de engolir o sapo vivo. Às vezes vale a pena.


   Ainda não são oito da manhã e já tenho motivos para escrever. Levantei-me como de costume. A minha mulher nem se mexeu. Veio depois ter comigo quando eu saía do banho. Ainda está amuada, ou lá o que se pode chamar a isso. Nem me deu palavra. Acabei por me ir vestir sozinho para o quarto.
   Estou a fazer o café. Já tenho a mesa posta quando ela chega. Continua calada. Aqueço um copo de leite no micro-ondas e deito-lhe o café que entretanto já subira na cafeteira.
   __ Só fizeste para ti? Ainda estás zangado comigo? __ Até parece que o aborrecimento de uma pessoa passa só porque o tempo faz o mesmo. Já houve uma altura em que realmente as nossas zangas não duravam quinze minutos. Depois começaram a durar só até à noite. Aí não havia aborrecimento que perdurasse até à manhã seguinte. Agora...
   __ Ontem fizeste-me o mesmo. Vês como também não gostas?
   __ Ontem? Não precisas de ser assim, então ontem não te fiz o galão? Até o levei para a mesa! __ Tento manter a calma. Aliás preciso de muita, mesmo.
   __ Lembra-te que aqueceste o leite só para ti. Depois até ficaste admirada quando me viste deitar o leite no café. Levaste-o para a mesa, mas não o aqueceste. Eu até bebi o galão frio. __ Lembrou-se. Não tinha sido por mal, julgava que eu já o tivesse feito para mim, como, se não foi ontem, foi anteontem só que as condições eram diferentes. Ela tinha voltado para a cama e tomei o pequeno-almoço com a minha filha. Durante o pequeno-almoço não disse uma palavra. Quando me ia levantar, perguntou se hoje ia para Lisboa, a minha vontade foi perguntar-lhe o que tinha a ver com isso, mas contive-me. Talvez fosse apenas uma forma de estabelecer um contacto. Não sei e dou-lhe o benefício da dúvida.
   Encontro-a caída em cima da cama. Mal se consegue levantar. Por duas vezes se atira para trás, afastando-se do meu abraço. Parece um ataque epilético, mas não é, nem pela duração, nem pela forma. Volto a agarrá-la, e encosto-a a mim, mesmo estando sentada na beira da cama. Passado um pouco tento levantá-la de novo. Oscila mais uma vez, mas aguenta-se. Retribui-me o abraço, num gesto que não é só para se agarrar. Pelo menos eu quero pensar assim. Pode ser que consiga restabelecer a ligação perdida... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 20:49
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