Terça-feira, 25 de Janeiro de 2005

Lamechices, dizem eles.

   Que paciência!...
   Se nos preocupamos, são lamechices, se não queremos saber, somos insensíveis. Às vezes olhamos as coisas à nossa volta e classificamo-las consoante os nossos interesses próprios, sem pensar que também podemos precisar, ou ser os próximos.


   Estávamo-nos a preparar para o jantar. Os miúdos lá iam ajudando conforme podiam ou melhor, queriam. Um trazia os pratos, outro distribuía-os. Eu dava uns últimos toques no computador. Ouço risos.
   __ Outra vez?... __ diz a minha filha com a panela de sopa nas mãos.
   __ Paiiii! A Mãe mergulhou! __ Seja como for não gosto de os ver brincar com esta situação, embora, confesso, já nos tenhamos habituado a ela, de tão rotineira. Hoje está mais difícil de se levantar, chegando mesmo a revirar os olhos. Encosto a cabeça dela ao meu peito, à espera que ganhe alguma rigidez, prova de que já estava de novo a controlar o corpo. Também pouco mais posso fazer, pois o seu peso já é muito. Parece um bébé, a aumentar 200g por dia. Dou por mim a fazer-lhe festas na cabeça e a repreender os miúdos pela falta de sensibilidade. Recolhi risos em troca.
   __ Daahhhh! Lamechices. __ E sairam da sala a rir.
   Lá acabámos por jantar. O namorado da minha flha está doente, apanhou uma dessas gripes que entopem os hospitais. Chamámos o médico. Há-de vir, hoje têm muitas chamadas. O tempo passa e nada de médico. A minha mulher aparece de fininho.
   __ Tens muito que fazer? __ Garanto que qualquer dia ponho um relógio de xadrez aqui ao pé de mim para contar o tempo que realmente consigo trabalhar, com todas as interrupções que eles me fazem. __ Podias levar o Mário a casa. Ele está tão doente... __ Pronto. Decididamente os orçamentos vão ter que esperar... Lembro-me do tempo em que a namorei. Nunca pedi nada ao pai dela, nunca o incomodei. Dias diferentes, épocas diferentes. Miúdos. E depois curtem Eminem!
   Lá fui levar o Mário. Ao chegar a casa, tenho a mais velha à minha espera com uma disquete na mão.
   __ Paizinho... __ Pois. Já estou a ver o filme. __ Ajudas-me a imprimir este trabalho para a faculdade? __ Lembro-me dos exames que ela tem passado e das suas boas notas. Finjo que não estou nem para aí, mas é claro que a vou ajudar. Começo logo com uma reprimenda. Gravou o trabalho em disquete para quê? Não é mais fácil ir buscá-lo pela vizinhança na rede? Não sabe fazer nada disso, responde ela. Bons tempos os meus da faculdade, em que tínhamos de perfurar cartões, depois de pedir não sei quantas autorizações para usar o computador da universidade. Formato o texto, verifico margens, recupero as tabelas, antes de imprimir. Falta a capa. Toca a puxar o programa de desenho, procurar imagens na minha base de dados, Elaborar a página e, também é precisa uma capa igual para o CD. Igual como?! Uma é em A4, a outra é quadrada! Com alguns retoques consigo fazer um bom trabalho. Passa das duas da manhã. Levanto-me às seis. Lamechices... É preciso paciência.
publicado por vkthor às 23:57
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